O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 04/08/2021
Louis Pasteur, com seus experimentos sobre a biogênese, fez uma descoberta que possibilitou a pasteurização e a comercialização de alimentos enlatados. A partir de então, a indústria de alimentos passou a crescer e ganhar novos ramos. Na atualidade, uma forte e polêmica discussão se dá a respeito do comércio de alimentos ultraprocessados, que trazem problemas para a saúde e tiram a autonomia das refeições.
O tipo de alimento em questão traz um problema específico, a fome oculta. Essa é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como deficiência de micronutrientes, e seus números vêm crescendo na mesma medida que a indústria de alimentos processados. Esse é um reflexo social e econômico, visto que para algumas pessoas em situação de pobreza, os industrializados de baixo custo são a única opção para alimentação. Esse é um caso em que saúde vem atrelada ao poder aquisitivo.
Sobre o mesmo assunto, é possível pensar na discussão da autonomia das refeições. Ao escolher um alimento ultraprocessado, que tem uma combinação considerada por nutricionistas como hiperpalatável, uma pessoa deixa de acompanhar todas as etapas do processo de preparo de uma comida e de entender a sua própria relação com ela. Assim, não é possível saber a procedência dos ingredientes ou o tipo de trabalho envolvido. Dessa forma, crianças crescem consumindo alimentos de sabor agradável e baixo valor nutricional e se tornam adultos dependentes desses.
Infere-se, portanto, que os alimentos ultraprocessados são prejudiciais à saúde e à autonomia alimentar. Para lidar com a fome oculta resultante, cabe ao Poder Público, por meio do patrimônio acumulado, levar alimentos saudáveis, completos e ricos em nutrientes a pessoas em situação de pobreza, em espaços públicos como escolas, universidades, parques e feiras. Outrossim, cabe à mídia, por meio das redes de comunicação, alertar sobre o risco do consumo de industrializados e todos os ingredientes e processos, a fim de gerar consumidores, no mínimo, conscientes. A praticidade trazida por Pasteur não deve perpassar os limites da saúde.