O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 05/10/2021
A Revolução Verde, vivida globalmente a partir de 1930, consistiu na modernização da agricultura através da inserção de novas tecnologias no campo. Tais inovações foram responsáveis pela criação de uma nova categoria alimentar: a dos ultraprocessados, que são alimentos adicionados de conservantes naturais e sinteticos, que objetivam um aumento do prazo de validade e melhoria do sabor do produto. Apesar da grande comodidade proporcionada por tais alimentos, a ascensão de um padrão alimentar rico em ultraprocessados é responsável tanto por gerar impactos negativos na saúde do indivíduo, quanto por agravar as disparidades sociais vividas no Brasil.
Primeiramente, faz-se necessário debater a relação entre o crescimento do número de pessoas com doenças crônicas não transmissíveis - como a diabetes e a hipertensão - e a ascensão da dieta rica em ultraprocessados. De acordo com a Constituição Federal, a saúde é um direito de todos. Infelizmente, porém, a integralização desse direito não é garantida aos brasileiros, visto que a inserção dos ultraprocessados na alimentação diária da população é responsável pelo aumento significativo de enfermidades crônicas. Tais doenças são causadas pelos excesso de componentes utilizados a fim de garantir um maior prazo de validade dos produtos desta categoria alimentar, como o sal e o açúcar. Tal questão já foi discutida pelo médico brasileiro Dráuzio Varella, o qual afirma que o consumo de tais alimentos deve ser totalmente evitado a fim de garantir uma melhor qualidade de vida.
Além disso, a alta mercantilização dos alimentos ultraprocessados é responsável por intensificar, ainda mais, as desigualdades sociais presenciadas na sociedade brasileira. Isso porque, devido a uma mentalidade, predominantemente, capitalista, em que o indivíduo põe o lucro acima das relações interpessoais e não se preocupa com os efeitos de suas ações, há a exclusão de grande parte da população brasileira, havendo uma seleção de quem pode ter acesso ou não aos produtos ultraprocessados, de acordo com o seu poder aquisitivo. Consequentemente, há um aumento desenfreado do abismo social vivido no país. Prova disso é que há, segundo o IBGE, mais de 13 milhões de brasileiros vivendo em situação de extrema pobreza.
Assim, é fundamental que o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Saúde, promova ações que objetivem a diminuição do potencial negativo dos ultraprocessados na saúde do indivíduo. Tal iniciativa ocorrerá por meio da implantação de um Projeto Nacional de Incentivo à Segurança Alimentar, o qual será responsável por divulgar às indústrias diretrizes de redução do uso, nos ultraprocessados, de componentes nocivos à saúde. Também, tal projeto será responsável por incentivar tais empresas a doarem uma parcela de seus produtos às populações carentes, havendo, por consequência, descontos progressivos nos impostos pagos por tais indústrias. Isso será feito, a fim de garantir à população uma maior qualidade de vida. Afinal, a saúde e a alimentação segura são direitos de todos.