O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 11/09/2021
De acordo com Chimamanda Adichie, escritora nigeriana, a transformação do “status quo”, ou seja, estado das coisas, é uma missão árdua. Nessa perspectiva, pode-se traçar um paralelo com a realidade brasileira, na qual observam-se entraves na mudança na tendência crescente do hábito de consumo de ultraprocessados, reflexo da mentalidade imediatista e da insuficiência legislativa. Diante desse cenário, é conveniente a análise de tais problemáticas.
Em primeira análise, é necessário evidenciar o imediatismo como um dos motivadores desse padrão alimentar no Brasil. Segundo Drauzio Varella, médico brasileiro, é dever de cada indivíduo a preservação da própria saúde. No entanto, tal lógica é, muitas vezes, ignorada por grande parcela da população que recorre ao consumo excessivo de ultraprocessados, tanto pelo prazer que tais alimentos proporcionam quanto pela praticidade desses. Isso ocorre sem que haja a reflexão crítica sobre as consequências de tal atitude sobre a saúde, e ocasiona nos números cada vez maiores de obesos na sociedade brasileira, problema precursor de várias doenças, levando, consequentemente, à sobrecarga do sistema de saúde.
Em segunda análise, é importante salientar, também, a ausência de leis para o controle do consumo de alimentos ultraprocessados como outro fator origem da problemática. O documentário “Muito além do peso”, aponta o uso de propagandas, principalmente direcionadas ao público infantil, como um relevante estimulador ao uso de tais gêneros alimentícios. Assim, percebe-se que a insuficiência legislativa para a limitação desses meios apelativos, encorajadores do consumo de alimentos ultraprocessados, corrobora para a consolidação desse hábito alimentar no Brasil, uma vez que permite o influenciamento de menores que, através do uso frequente desses tipos de produtos, podem incorporar esse costume prejudicial às suas rotinas e tornarem-se adultos com a saúde debilitada.
Portanto, é indubitável intervir em tais problemas. Para isso, cabe ao Governo, em parceria com as escolas, promover a concientização da população sobre as consequências do uso exarcebado de alimentos ultraprocessados. Isso deve ser feito por meio de projetos educacionais, como aulas sobre nutrição nas instituições de ensino, assim como propagandas, exibidas no meio televisivo e nas redes sociais, a fim de informar o maior número de pessoas sobre a importância de dietas saudáveis. A partir dessas ações será possível amenizar a atual realidade social.