O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 05/10/2021
Segundo Chimamanda Adichie, escritora nigeriana, a transformação do “status quo”, ou seja, do estado das coisas, é uma missão árdua. Nessa perspectiva, pode-se traçar um paralelo com a realidade brasileira, na qual se observam entraves na mudança da tendência crescente do consumo de ultraprocessados entre a população. Tal conjuntura é reflexo da negligência familiar e das lacunas educacionais presentes no sistema de ensino, e promove sérios impactos na saúde dos indivíduos. Diante desse cenário, é conveniente a averiguação do problema.
Em primeira análise, é necessário evidenciar a displicência da família como um dos motivadores da incorporação desse gênero alimentício no hábito alimentar. Acerca disso, Émile Durkheim, sociólogo francês, pontua que a família, como primeira instituição social, tem papel fundamental na formação do comportamento do indivíduo. No entanto, essa protagonização parental mostra-se falha ao negligenciar a alimentação dos mais jovens , especialmente quando influencia uma dieta desiquilibrada ao consumir ultraprocessados em excesso, podendo, dessa forma, criar hábitos prejudiciais à saúde das crianças e adolescentes . Assim, faz-se urgente a conscientização da família sobre os riscos de uma alimentação precária para que a adversidade seja superada.
Em segunda análise, é importante salientar, também, a ausência da educação alimentar nas escolas como outro fator precursor da problemática. Sob esse viés, Paulo Freire, educador brasileiro, defende que o sistema de educação nacional não estimula o pensamento indagador. Nesse contexto, as escolas, ao priorizarem o ensino tecnicista, não desenvolvem a criticidade e a autonomia do indivíduo, o que impede a conscientização desse sobre a importância da dieta saudável para a preservação da saúde. Tal conjuntura resulta na formação de adultos que são irresponsáveis em relação à alimentação, ao abusarem de alimentos ultraprocessados por praticidade ou prazer, podende, desse modo, desenvolver doenças como obesidade e cardiopatias, e tornar o custo do sistema de saúde mais caro. Logo, é notório que a solução do entrave perpassa transformações na base ensino.
Portanto, é indubitável intervir sobre esse quadro. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, enquanto responsável pelas diretrizes educacionais do país, acrescentar à grade escolar aulas de orientação nutricional, para que os jovens sejam direcionados a terem uma alimentação saudável. Além do mais, esse órgão governamental deve, por meio das grandes mídias, conscientizar o público mais velho sobre a importância das dietas equilibradas para a saúde, a fim de informar o maior número de pessoas. A partir dessas ações será possível melhorar a atual realidade brasileira.