O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 12/11/2021
O documentário americano “Food, Inc.” aborda os inúmeros impactos negativos que a má alimentação causa no modo de vida dos indivíduos e mostra que, muitas vezes, as pessoas não pensam nos prejuízos que as afetam a longo prazo. Nesta mesma perspectiva, o longa-metragem retrata, indiretamente, uma realidade que também é vivida no Brasil: o exacerbado consumo diário de ultraprocessados. Sob essa ótica, o impacto negativo na saúde e a manipulação midiática estão intrinsecamente atrelados a este problema.
Em primeiro plano, a Organização Mundial da Saúde afirma que a má alimentação é o principal fator para o aparecimento de inúmeras doenças, dando destaque para a obesidade, diabetes e hipertensão. Neste aspecto, a maior praticidade, a falta de tempo e o comodismo induzem a população a consumir ultraprocessados e fast foods – que detém alto percentual de gordura hidrogenada, colesterol e açúcar - com bastante frequência. Dessa forma, a grande ingestão de produtos alimentícios altamente industrializados pode acarretar em danos, muitas vezes irreversíveis, para o indivíduo.
Além disso, o conceito de indústria cultural, criado pelo expoente filósofo alemão Theodor Adorno, ilustra o significativo impacto que a mídia tem sobre os indivíduos. De modo análogo a esse pensamento, nos dias atuais, as publicidades do ramo alimentício utilizam inovadoras estratégias de marketing a fim de persuadir o público alvo e induzi-lo a adquirir o produto oferecido; uma das mais comuns é a psicologia de cores, que através do uso de uma certa combinação de tons consegue provocar, no ser humano, alterações psicológicas que promove o estímulo à compra. Nessa perspectiva, segundo Adorno, estas constantes propagandas conseguem provocar, no tecido social, o forte incentivo à compra de comidas ultraprocessadas e aos maus hábitos alimentares.
Portanto, o conjunto desses fatores evidencia a necessidade de uma mudança no padrão alimentar dos brasileiros. Neste viés, é mister que o governo de esfera federal, através do Ministério da Educação, promova nas escolas – responsáveis pela transformação social – palestras constantes com nutricionistas sobre alimentação saudável, para que desde a infância a população tenha acesso aos males provocados pela ingestão de comidas não saudáveis. Ademais, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) deve exigir, nas propagandas alimentícias, a existência de avisos acerca da presença de gorduras trans ou alto índice glicêmico nos produtos, a fim de alertar aos indivíduos sobre a qualidade nutricional que estarão sujeitos a comprar e consumir. Logo, se tais medidas forem implementadas, a realidade tratada em “Food, Inc.” poderá se distanciar do panorama brasileiro.