O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 15/11/2021
De acordo com pesquisas da USP (Universidade de São Paulo), os alimentos mais tradicionais da culinária nacional, como a mandioca e o arroz, tomam, a cada dia que se passa, menos espaço nas refeições dos brasileiros. Tal problemática se deve, sobretudo à praticidade cada vez mais buscada na “correria do dia-a-dia” da vida urbana. Entretanto, a citada prática pode e já gera resultados catastróficos na sáude pública, colocando em evidência a urgência na resolução deste problema.
Analogamente, Pero Vaz de Caminha em sua carta “Achamento do Brasil” descreve que, alimentando-se os indígenas apenas de seu inhame e frutas locais, encontravam-se muitos mais rijos e nédios que os europeus com seus tantos trigos e legumes. Similarmente, adaptando os escritos do fidalgo português - que concluiu o que podiam aprender os civilizados “daquela gente” - à atual conjuntura social, fica-se evidente o que os presentes brasileiros conseguem imitar dos nativos, dado que, segundos dados do IBGE, 16% da população brasileira já não possui em suas refeições alimentos básicos da culinária nacional, como o arroz. Também, tendo em vista que, ainda que as frutas sejam de rápido preparo - prinicipal fator que leva a sociedade a consumir alimentos ultraprocessados - sejam substituídas pelos fastfoods, como demonstram as pesquisas da USP, torna tal cenário inconcebível.
Outrossim, ao salientar a robustez dos indígenas brasileiros citado por Caminha, destaca-se que, além da colaborar no adquirimento, dentre outros problemas de saúde, doeças cardiovasculares e obesidade - como demonstram pesquisas de British Medical Journal (BMJ) -, o consumo não equilibrado dos alimentos ultraprocessados que contêm muito açúcar, por exemplo, causam também cansaço e fadiga, segundo a nutricionista e professora da Ciências Médicas Mônica Lima, dando um aspecto de fraqueza ao indivíduo. Conclui-se, portanto, a importância de retirar tal hábito alimentar da dieta brasileira.
Dado o exposto, urge ao Ministério da Saúde juntamente com o Ministério da Educação disponibilizar uma educação, por meio das escolas, que se empenhe mais eficazmente em informar as crianças e adolescentes acerca dos perigos dos alimentos ultraprocessados tão comuns nessa faixa etária, a fim de que sejam mais conscientes ao escolherem seus lanches. Também, cabe aos governos municipais investirem na distribuição de frutas variadas nas redes de ensino ao fim de cada período escolar - matutino, vespertino e diurno -, para que o paladar dos estudantes sejam educados a consumir comidas saudáveis. Dessa maneira, obteremos uma sociedade que se alimenta bem, cada vez menos acostumada ao adquirimento de produtos industrializados, podendo ser descrita fisicamente assim como na carta de Pero Vaz de Caminha acerca dos indígenas.