O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 20/11/2021

A Constituição Federal de 1988, documento que rege todo ordenamento jurídico do país, prevê, em seu 6º artigo, o direito à saúde e ao desenvolvimento físico. Entretanto, observa-se uma lacuna ao que tange à questão dos maus hábitos alimentares, visto que ainda é um desafio a ser superado. Com isso, a cultura do consumo e a omissão estatal são agravantes da problemática.

Diante desse cenário, faz-se imprescindível analisar que o consumismo é um dos reveses. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, o consumo excessivo é uma “forma compensatória” para obter prazer. No entanto, tal compensação gera, além de uma felicidade momentânea, a má alimentação dos brasileiros, visto que há um consumo exacerbado de alimentos industrializados, que por sua vez são muito calóricos e pouco nutritivo. Desse modo, a contínua ingestão dessas comidas acarretará em doenças como, por exemplo, diabete, hipertensão e obesidade. Assim, é necessário que as pessoas busquem outras formas de prazer.

Além disso, é evidente que a negligência governamental é um catalisador do impasse. Conforme o livro “Levitã”, do filósofo Thomas Hobbes, é responsabilidade do Estado garantir o bem-estar social. Porém, esse comportamento não tem sido de fato estabelecido pelo governo, de forma que não há programas sociais, de alcance nacional, que contribua com a diminuição dos maus hábitos alimentares. Por conseguinte, essa omissão do governo federal dificulta o acesso à informação acerca de refeições saudáveis no cotidiano brasileiro.

Portanto, conclui-se que o Ministério da Saúde deve criar campanhas informacionais, divulgadas por meio de redes midiáticas, utilizando os serviços de influências digitais – para alcançar o maior número de pessoas – com a finalidade explicar os malefícios de curto e longo prazo da ingestão de alimentos industrializados, para garantir uma melhora na qualidade de vida da população. Por outro lado, a Secretaria de educação deve propor debates em escola, mediante a análise de filmes, com o intuito de incentivar o utilização de comidas orgânicas, que auxilie no desenvolvimento das crianças e garanta os direitos constitucionais.