O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 25/05/2022

Nosso consumo de alimentos ultraprocessados nunca foi tão alto. Ao longo da década, passamos a comer mais biscoito, sorvete e refrigerante como nos Estados Unidos e no Reino Unido e nos distanciamos do arroz com feijão que nos consagrou.

O consumo desses alimentos aumentou porque eles são baratos, práticos e estão disponíveis em todo canto no metrô, na farmácia e até no posto de gasolina. E o crescimento da participação desses alimentos na dieta dos brasileiros foi acompanhado pela expansão das grandes empresas transnacionais que os produzem (Unilever, Nestlé, Mondeléz, Coca-Cola, Pepsico, Danone e companhia).

Ao longo dos últimos meses, buscamos entender como essas corporações se consolidaram no Brasil e que fatia do mercado de alimentos elas controlam. Transformações culturais exigiram comidas práticas para um dia-a-dia mais corrido. Mudanças no ambiente alimentar nos levaram a comer mais fora de casa, à medida em que as mulheres ocuparam mais espaço no mercado de trabalho e puderam passar menos tempo na cozinha. E particularidades históricas dos anos 90 inseriram o Brasil no mercado global, atraindo as multinacionais de alimentos e seus produtos para cá.

Esses são alguns fatores que explicam como essas empresas se tornaram onipresentes em nossas vidas. E por que a alimentação se tornou um dos grandes problemas de saúde do século 21.

É o que mostra um recorte da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, divulgado na última sexta-feira: entre 2002-03 e 2017-18, a disponibilidade calórica de ultraprocessados em nossa dieta foi de 12,6% para 18,4%. A de alimentos in natura passou de 49,5% para 53,5%. A boa notícia é que o ritmo de avanço da comida porcaria já não é tão rápido quanto foi na década anterior.