O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 17/04/2018
Na produção romantista brasileira, os autores da geração indianista se empenharam na construção da imagem do nativo como herói nacional. Naquele contexto, o indígena foi apresentado como forte, virtuoso e verdadeiro possuidor das terras brasileiras. No entanto, distante das utopias românticas, jogos de poder e interesses contrastantes são entraves que, ainda hoje, precisam ser superados, a fim de que seja afirmada e valorizada a cultura dos primeiros habitantes de nosso país.
Em primeiro lugar, convém analisar a intervenção de agentes poderosos na problemática, fator que potencializa dificuldades em sua resolução. De acordo com a Constituição Federal Brasileira, de 1988, parte das terras do país devem ser, obrigatoriamente, destinadas à ocupação e exercício de atividades indígenas. Contudo, considerando a crescente expansão agrícola para as regiões onde há demarcação, interesses externos tornam-se parte da discussão. Assim, atores de grande influência político-econômica suscitam especulações acerca da lucratividade de conferir aos aborígenes seus direitos.
Ademais, cabe observar os caracteres culturais e sociais desses grupos, os quais são alvo de histórico subjugo. No período colonial, a catequização e a escravização foram formas encontradas para moldar os costumes indígenas considerados impuros. Hoje, produto desse período, noções firmemente assentadas no desconhecimento seguem relacionando misticismo e estranheza aos hábitos tribais. Nesse sentido, cerceado de exercer tradições identitárias “indignas”, o índio moderno vê-se em conflito, uma vez que os preceitos que lhe concernem se dissipam diariamente.
Torna-se evidente, portanto, a latente necessidade de discussões mais profundas sobre a questão dos povos autóctones de nosso país. Faz-se imprescindível que haja difusão de informações sobre sua riqueza e diversidade, bem como fortalecimento de instituições que os representem. Para tanto, o Ministério da Educação deve instituir na grade curricular a disciplina de Antropologia, de modo a favorecer espaço para tais debates. Outrossim, as instituições de ensino devem promover oficinas que visem o contato com elementos da cultura indígena, além de oferecer, à nível universitário, palestras com lideranças desse grupo. Dessarte, com maior visibilidade, será possível conferir representatividade e, pela informação, tornar tangível a valorização já idealizada pelos ufanistas românticos.