O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 21/04/2018

Conforme defendeu o sociólogo Gilberto Freyre na obra ‘‘Casa-Grande e Senzala’’, a pluralidade de crenças e de etnias que existe no Brasil forma a identidade do país. Sendo assim, todas elas devem ser respeitadas, porém ainda é vigente o preconceito indígena na sociedade brasileira. Diante disso, a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pelo Poder Público, seja pela sociedade civil.

É indubitável que a questão constitucional esteja entre as causas do problema. Segundo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado. De maneira análoga, é possível perceber, que o Estado rompe essa harmonia, tendo em vista a falta de assistência escolar, de saúde e segurança aos índios. Aliado a isso, com o avanço do agronegócio e da pecuária, observa-se a intensificação dos conflitos entre fazendeiros e ameríndios. Essa situação vem dizimando muitas tribos e impedindo o avanço de qualquer tentativa de ONGs que atuem na causa indígena, de assegurar o direito de existência desses povos. Como, por exemplo, a tribo Guarani-Kaiowá perderam grande parte das terras.

Além disso, destaca-se a sociedade civil como impulsionadora da problemática. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar. Seguindo essa lógica, as populações indígenas são caracterizadas pelo ponto de vista dos livros adotados nas escolas, de acordo com um olhar europeu estereotipado. Nesse contexto, o antropólogo Everaldo Guimarães Rocha fez um estudo baseado nesta alegação comprovada pelos relatos presentes em ‘’Caramuru’’, no qual afirma que os nativos foram definidos como primitivos, selvagens e cruéis. Posto isso, salienta-se que a preservação da cultura constitui um dos principais desafios dos indígenas.

Torna-se, evidente, portanto, que há entraves para solidificação de políticas públicas que visem a melhor preservação do índio. Em razão disso, faz-se necessário que o Poder Executivo intensifique a liberalização de subsídios financeiros as instituições, como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI),bem como a homologação de terras, com o fito de reafirmar os princípios básicos da Carta Magna de 1988. Ademais, o Ministério da Educação, deve incluir na grade curricular uma matéria exclusiva à história e luta dos povos indígenas no Brasil, a fim de preservar o patrimônio de tal povo. Dessa forma, sanaremos a dívida dos nossos colonizadores, devolveremos a casa aos inquilinos, e garantiremos que todo dia voltará a ser dia do índio.