O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 15/05/2018

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Sua decisão talvez tenha sido certeira, haja vista o extremo egocentrismo humano presente desde a era cristã. Nesse ínterim, comprovando a veracidade da obra machadiana, nota-se o esquecimento do índio e seu do seu espaço na sociedade.

Em primeira análise, é evidente que o índio vem perdendo seu espaço desde a chegada do europeu no Brasil. Sabe-se, portanto, que desde o primeiro contato entre as duas civilizações, o índio foi obrigado a se adaptar à cultura europeia, adotando sua religião e costumes. E hoje, ainda alimentado pelos ideais do eurocentrismo trazido com os primeiros europeus, há uma forte ideia de que o índio tem, por obrigação, a se adaptar aos costumes trazidos por europeus. Além disso, esse esquecimento é presente até em alguns livros didáticos, que tratam a chegada dos portugueses como “descoberta das terras brasileiras”, ignorando quase totalmente a moradia dos povos indígenas antes presentes e sua importância no conhecimento da terra.

Em segundo modo, devido a solidificação dos ideais capitalistas, os povos indígenas ficaram, durante anos, à mercê das invasões de suas terras por fazendeiros que buscavam a criação de gado e plantios. Não obstante a isso, há uma notória falta de cumprimento das legislações que defendem o espaço dos índios e sua igualdade perante a lei assegurada no 5° artigo da Constituição Federal de 1988, que diz que todo homem brasileiro, independente da cor, raça ou religião, é igual perante as leis e tem direito a seu espaço. A intervenção estatal, segundo a teoria de Thomas Hobbes, é necessária, portanto, para a defesa do índio e sua importância durante a construção histórica no Brasil.

Diante da realidade vivida pelos povos indígenas brasileiros, é necessário o respeito às diretrizes que defendem o seu espaço. Faz-se necessário, portanto, que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, coloque como base curricular o estudo das culturas e religiões indígenas, a fim de comprovar a veracidade da frase de Hellen Keller, de que “o resultado mais sublime da educação é a tolerância”; e isso poderá ser feito por meio da promoção do contato dos estudantes com os próprios indígenas. Ademais, a mídia, por meio do seu poder de persuasão, deve promover documentários em horário nobre que falem sobre a cultura indígena, a fim de conscientizar a população brasileira sobre a importância do índio e sua contribuição para a construção do Brasil.