O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 24/05/2018

“Tenho medo do futuro da terra em que meus filhos viverão. Minha vó contava sobre como era bom viver nesta aldeia indígena antigamente. Olhando a situação de hoje, fica difícil acreditar que aquele tempo existiu; e os contos da minha vó não passam de contos da carochinha. ” A narrativa aborda o relato de uma índia que vive no período atual e denuncia ameaçar como a exploração de suas terras. A qual levanta posicionamentos divergentes, provoca disputas de poder, e infelizmente dizima a vida de inúmeros indígenas.

Historicamente os povos indígenas vêm sendo injustiçados desde o século XVI, com o achamento do Brasil. A Sífilis e a pólvora foram os principais causadores do genocídio que dizimou maior parte da população indígena na época. Já no período do ciclo do ouro, os bandeirantes deram continuação ao genocídio, entrando nas matas para capturar e matar os nativos, além de destruir suas aldeias. Atualmente, mesma espécie de “bandeirantismo” do século XXI, entrou em tramitação um projeto de lei que permite que empresas de mineração explorem numa área de reserva ambiental cujo território é maior que a Síria. Esse absurdo tem apoio do atual presidente Michel Temer e da bancada ruralista, o que torna preocupante, quando não, ameaçadora para os indígenas que não tem apoio do governo.

Em outro plano, a sede por terra dos grandes latifundiários, que, segundo Chico César na música ‘Reis do Agronegócio’, “não destruíram o horizonte ainda”, também põe em risco a integridade dos índios, além de acirrar os conflitos entre posseiros e grileiros. Não se pode negar que o posicionamento da sociedade diante da situação é vergonhoso. O tratamento dos índios como estrangeiros nativos os torna invisíveis sociais, o que é mascarado na forma de cotas universitárias. A resistência indígena ganhou voz e visibilidade no Rock in Rio 2017, quando a cantora americana Alícia Keys fez o que muitos artistas nacionais não tiveram coragem de fazer; trouxe ao seu show uma índia para falar sobre as ameaças às reservas indígenas. Isso foi crucial para que a população brasileira enxergue o índio como um ser real, que precisa de assistência e não deve ser esquecido pelo governo, muito menos romantizado como na obra de José de Alencar, “O Guarani”.

Sendo assim, fica claro que o Estado não deve explorar as áreas de reservas indígenas, pois isso destruirá não só seu patrimônio de direito histórico, mas também sua identidade cultural. Para isso, o STF deve repudiar qualquer projeto de lei que vise a destruição do patrimônio indígena. Além disso, a mídia junto a personalidades influentes devem, através de propagandas em horário nobre, expor a questão indígena a fim de conscientizar a sociedade de que a luta pela preservação das reservas não é apenas dos índios, mas sim um dever nacional.