O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 07/06/2018
José de Alencar, importante nome do Romantismo brasileiro, ao tratar-se da figura indígena em sua obra “Ubirajara”, tenta desmistificar a imagem do índio representando-o como um ser racional e ainda não profanado pelo branco invasor. No entanto, apesar de a história do “Senhor da Lança” valorizar a cultura indígena, o pensamento da sociedade atual, muitas vezes, diverge do que fora retratado pelo autor, ocasionando, dessa forma, diversas dificuldades no âmbito da qualidade de vida e representatividade desses.
Nesse contexto, a visão estereotipada do índio apresenta raízes antigas e reflete no cenário atual. Dessa forma, é possível perceber que os primeiros cronistas, entre eles Pero Vaz de Caminha, mostram um grupo “sem fé, sem lei e sem rei”, revelando um pensamento etnocêntrico e preconceituoso que, apesar de arcaico, parece atemporal. Hodiernamente, essa concepção submete o índio a uma série de situações desumanas, visto que a identificação e a preocupação com esse grupo são quase inexistentes. Prova disso é que, levantamentos do Conselho Indigenista Missionário mostram que, do total de mortes infantis no Brasil, 55% são de índios, ademais, 21 indivíduos dessa etnia falecem anualmente por falta de acesso à saúde.
Em segunda instância, ainda que apresentem uma formação heterogênea, os brasileiros ainda negligenciam a cultura de seus primitivos. Nesse âmbito, pesquisas da Universidade Estadual de Campinas apontam que, das 1,5 mil línguas indígenas existentes no período colonial, restam apenas 181. Além disso, a discriminação dentro do próprio país, a pouca representatividade indigenista nas três esferas do poder e a abordagem insuficiente sobre a cultura indígena na educação regular corroboram para o desaparecimento de grande parte do acervo cultural desse grupo.
Mediante o exposto, faz-se necessária a adoção de medidas que solucionem o problema vigente. A priori, é imprescindível que haja a eleição de representantes indígenas no Congresso, para que decisões acerca da realidade dos índios sejam tomadas com o consentimento e aprovação dos únicos que a conhecem. Outrossim, cabe ao Governo instituir políticas públicas de prevenção e tratamento de doenças por meio da instalação de hospitais em áreas próximas a reservas indígenas, a fim de levar o atendimento gratuito aos indivíduos que queiram submeterem-se a ele. Por fim, é conveniente que a mídia, em parceria com as escolas, crie campanhas e projetos que conscientizem o povo brasileiro sobre a importância da cultura indígena no processo de formação do país, a fim de difundir os costumes daqueles que ocupavam a terra antes de nós. Quem sabe assim, o caráter romântico de valorização do índio tome o lugar do etnocentrismo europeu enraizado na cultura brasileira.