O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 10/06/2018

Segundo Oscar Wilde, escritor britânico do século XIX, " O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação". Partindo desse pressuposto, é preciso, pois, sair da inércia e engendrar - de maneira consciente - medidas cuja asserção seja confrontar os processos negativos que têm colocado o índio em foco na atualidade. Nesse sentido, é de suma importância uma análise mais abrangente das circunstâncias, sobretudo o desrespeito às terras indígenas e ao estereótipo que muitos nativos são alvos, tendo em vista, mormente, atenuar seus impactos sobre essa população.

É preciso considerar, primeiramente, que a sociedade brasileira tem uma visão muito limitada sobre os povos indígenas. Isso decorre, dentre outros fatores, pela falta de conhecimento sobre a diversidade dos povos nativos, contribuindo, muitas vezes, para concepções preconceituosas e estereotipadas. Diante disso, no Brasil, foi construída uma ideia do índio como um Ser selvagem e alheio às transformações que decorrem no mundo. Essa visão míope foi herdada da nossa literatura, mais precisamente da primeira fase do romantismo, no qual o índio foi caracterizado na visão do “mito do bom selvagem’’ de Rousseau. Dessa forma, atualmente, ver um índio conduzindo um automóvel ou usando roupas de marca é visto com certo desdém, pois para a sociedade brasileira os povos indígenas não podem evoluir, pois devem estar chafurdados nas histórias de José de Alencar.                  Outrossim, o avanço do agronegócio tem colocado em xeque as terras dos povos nativos. Nessa perspectiva, a sociedade é regida por uma concepção capitalista, no qual tudo é visto por meio de seu valor de mercado. Diante disso, a desterritorialização dos nativos é dado como algo natural, visto que a bancada ruralista, muito presente no legislativo, institucionaliza esse processo. Dessa forma, estamos observando um novo massacre em relação ao povos nativos, como, por exemplo, o ocorrido em Mato Grosso do Sul, no qual a visão mercadológica da terra, em consonância com a naturalização do fato, terminou em brutalidade. Essa situação contribui para a marginalização e o empobrecimento, tanto econômico, como cultural dos nativos, dado que a beira do asfalto torna-se a única válvula de escape.      Urge, portanto, a proeminência de medidas para esse revés. Para tanto, cabe ao governo federal reforçar as garantias constitucionais dos indígenas, como o direito à terra e à manutenção de sua cultura e, mediante o projeto Calha Norte, que visa o monitoramento da Amazônia, fazer a manutenção das terras dos nativos. Ademais, compete à escola e às ONGs, juntas, trabalharem, por meio de discussões, palestras e projetos, as diferentes culturas indígenas, levando o conhecimento das particularidades e diversidades que regem esses povos. Quem sabe assim a sociedade compreenda, que a beleza das diferentes culturas, está, justamente, no seu aspecto plural.