O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 12/06/2018
A era pós-Cabral
Desde o início do século XVI, com a chegada oficial da colonização portuguesa ao Brasil, cultiva-se a ideia de que os povos indígenas seriam um atraso à humanidade. Nesse contexto, infelizmente, tal conceito eurocêntrico ainda perdura no meio social, haja vista que o índio contemporâneo ainda é subjugado e marginalizado. Nesse sentido, é necessário que se avaliem fatores históricos e culturais de preconceito e de discriminação desses povos, e que, principalmente, sejam garantidos os seus direitos.
Em primeiro plano, é indubitável que preconceitos de raízes históricas ainda prevalecem com frequência no cotidiano da sociedade. É factível que desde o período colonial até o século XXI, as relações do homem branco com a figura do indígena baseiam-se na visão estereotipada de que o nativo é um selvagem de cultura inferior, uma vez que conceitos como “povos exóticos, primitivos e animistas” são observados em diversos segmentos da sociedade, o que contribui para uma visão folclórica em relação aos autóctones. Por conta disso, lamentavelmente, tais povos sofrem uma continua anulação social, com preconceito étnico, pouco acesso à educação e desemprego, sendo assim, segregados da vida em comunidade.
Outrossim, os conflitos pela posse de terra constituem-se como um dos principais pilares do etnocídio sobre esses povos. Isso porque, a fim de obterem maiores lucros, a crescente expansão das fronteiras agrícolas do agronegócio –uma das principais movimentações econômicas do país – resultam em conflitos violentos e na decadência dessa cultura, tendo em vista que a terra para essa etnia assegura sua sobrevivência e preserva suas tradições. Tal fato, contraria os Direitos Constitucionais de 1988, que garantem a posse dos índios sobre as terras que, tradicionalmente, ocupam e evidencia que interesses econômicos, por vezes, se sobrepõem aos direitos de proteção das tribos remanescentes.
À vista de tais preceitos, a situação nociva que se encontram os povos indígenas no país, configura-se uma chaga social que demanda imediata resolução. Para que se reverta esse cenário problemático, portanto, é fundamental ações conjuntas entre a Fundação Nacional do Índio, juntamente com as Secretarias Municipais, nos locais onde esses povos estão localizados, com a correta demarcação de suas terras, aplicando multas para latifundiários ou empresas que as invadir, a fim de que sejam, efetivamente, garantidos seus direitos básicos. Ademais, cabe ao Ministério da Educação e Cultura implementar na grade curricular do Ensino Infantil, o ensino da temática indígena de maneira lúdica, por intermédio de filmes e de brincadeiras, para que desde a formação do pensamento crítico os indivíduos entendam a indubitável importância desse povo para o país.