O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 15/06/2018
Não é difícil imaginar esta cena: uma índia exaltada por sua virgindade e beleza, ao se sentir ameaçada por um Português, fere-o com uma flechada. Arrependida do ato, ela salva o estrangeiro e se apaixona, o que a leva abandonar sua família, seu povo e suas crenças para viverem juntos. Esse cenário – apresentado na obra literária “Iracema” de José de Alencar – é apenas uma entre várias referências à submissão do indígena ao colonizador Português. Dessa forma, ratificando a perspectiva literária, o desrespeito à demarcação de terras indígenas ainda persiste na sociedade brasileira e gera, junto a outros impactos, a aculturação desses povos.
Em primeiro lugar, é válido analisar que a área demarcada para os indígenas, apesar de ser oficialmente reconhecida, não é respeitada. Em outras palavras, os conflitos muitas vezes protagonizados por índios e ruralistas ocasionam a morte e perda de terras de várias tribos. Prova disso são os dados do site Carta Capital, que relatam 137 índios assassinados em 2015 devido a essas divergências. Ademais, o agronegócio, por ser uma das principais movimentações econômicas do país, gera a ganância pelo lucro nos fazendeiros que expandem suas fronteiras agrícolas às regiões indígenas. Nesse sentido, o que se percebe é uma vantagem da bancada ruralista em detrimento dos direitos de proteção das tribos.
Por conseguinte, vale visualizar, também, que a dominação dessas terras provoca a perda da cultura indígena. Desde a chegada dos portugueses na América que os nativos vêm perdendo seu espaço cultural e tendo sua imagem estereotipada nas concepções europeias. As crenças e costumes, por exemplo, foram descartadas e forçadas a serem substituídas por outras ideologias que os Portugueses acreditavam ser superior à desses povos. Além disso, a diversidade cultural que poderia ser tão benéfica para o país, não é vista com bons olhos e mesmo depois de tanto tempo, a sociedade ainda perpetua uma imagem idealizada do índio, e por vezes, até folclórica.
Torna-se evidente, portanto, que a situação indígena é visualizada até hoje com a percepção da 1ª geração do romantismo, em que os índios são vislumbrados na literatura, mas a realidade é uma hierarquia de valores. Para que essa visão seja desconstruída, o Governo deve revigorar nossa legislação, solidificando o direito dos índios e protegendo de possíveis invasões territoriais. Essas mudanças devem ser por meio de intervenções público-privadas em parceria com programas como o “Fantástico”, que pode ajudar nas investigações e denúncias dos casos de repressão aos indígenas e no estímulo à sociedade de valorização desses povos, para que essas culturas não sejam perdidas. Só assim, que nenhuma Iracema precisará abandonar seus costumes para se juntar a outras etnias.