O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 04/07/2018
Durante a primeira fase do Romantismo no Brasil, também conhecida como Indianista, no século XIX, o índio foi retratado como herói nacional pela literatura. Contudo, esse espaço literário conquistado não foi suficiente para alterar a forma de tratamento desses, tendo em vista que o índio contemporâneo ainda é subjugado e marginalizado na sociedade. Assim, deve-se discutir as vertentes históricas e culturais que englobam essa inadmissível realidade dos reais colonizadores do Brasil.
Em uma primeira análise, é factível que a permanência de preconceitos históricos corroboram para a realidade desses povos na sociedade. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, o indivíduo naturaliza, incorpora e reproduz modelos e padrões impostos a sua realidade .Nessa perspectiva, a partir de um ideal estereotipado adquirido no Período Colonial, de que o nativo é um selvagem de cultura inferior, repercute em um meio social preconceituoso, uma vez que conceitos atrelados ao indígena, como “povos exóticos, primitivos” são absorvidos em diferentes segmentos sociais. Em decorrência disso, lamentavelmente, tais povos sofrem constantemente uma anulação social, com preconceitos étnicos, pouco acesso à educação e saúde, sendo assim segregados dos direitos humanos.
Outrossim, deve-se considerar que a constante dificuldade desses povos em assegurar suas reservas e comunidades, contribui para os obstáculos na preservação dessa cultura no país. Nesse âmbito, essa realidade é observada no avanço do agronegócio sobre diversas reservas indígenas, o que repercute no desequilíbrio cultural desses povos, uma vez que a preservação de seus costumes, tradições e seu modo particular de vida é garantido no seu espaço natural. Dessa maneia, tal realidade contraria os direitos constitucionais de 1988, em que é garantido a posse dos índios sobre as terras que, tradicionalmente, ocupam e evidencia que interesses econômicos, por vezes, se sobrepõem aos direitos de proteção das tribos remanescentes.
É imperativo, portanto, a execução de mecanismos no embate a segregação do índio no Brasil. A priori, cabe ao Governo juntamente com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), uma correta demarcação das reservas indígenas, bem como uma fiscalização regular desses espaços, a fim de aplicar justiça aos latifundiários e empresas que subjugam e apropriam-se das terras desses povos .Da mesma forma, cabe as Secretarias Municipais de regiões onde residem tais reservas, proporcionar um espaço com maior acesso à saúde e escolas, a fim de melhorar e garantir a integridade do índio. Enfim, a partir da difusão de um pensamento crítico da importância desses povos ao Brasil, poder-se-á ratificar a valorização literária dos verdadeiros heróis nacionais.