O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 08/08/2018

A valorização cultural do indígena não necessariamente defende os costumes e valores destes. Tal fato é explícito no livro “O Guarani”, de José de Alencar, no qual, ao mesmo tempo em que caracteriza Peri, um índio catequizado e europeizado, como “altivo, nobre, radiante de coragem invencível”, classifica a tribo Aimoré como vilões bárbaros: apenas porque eles resistem à aculturação ao manter sua tradição  antropofágica. Desse modo, é imprescindível que tal visão seja combatida e que as etnias nativas tenham suas culturas e territórios respeitados.

Nesse contexto, é importante salientar como o preconceito prejudica a integração dos indígenas. Ao descrever mais de 295 povos e tribos como simples ¨selvagens¨, ou mesmo como se todos fossem virtuosos e viris guerreiros, é obstruída a visão mais ampla e verdadeira de que eles são humanos como quaisquer outros. Tal questão é discutida pela escritora nigeriana Chimamanda Adichie na palestra ¨Os perigos de uma história única¨, em que expõe as formas nas quais a caracterização preconceituosa de povos marginalizados serve como diferenciação e subjugação de seus valores frente à sociedade que os domina. Mesmo processo ocorrido com o Darwinismo Social, responsável por justificar o domínio imperialista dos europeus, que seriam mais ¨desenvolvidos¨, sobre o povo africano.

Ademais, é necessário destacar como o desrespeito às terras de reservas indígenas prejudica bastante esses indivíduos. Essas áreas são, muitas vezes, cobiçados por latifundiários e grandes empresas os quais, por meio de corrupção ou de grilagem_ falsificação de documentos_ adquirem-nas e expulsem os nativos de forma violenta. Um exemplo de tal comportamento ocorreu com a tribo Tanaru, que foi perseguida por fazendeiros e seus capatazes até que restasse um único sobrevivente, conhecido como o “índio solitário da Amazônia”, totalmente isolado de qualquer sociedade, fadado a vagar em busca de caça e alimentos para sua sobrevivência, já que recusa o contato com a civilização brasileira.

Portanto, em busca de evitar esteriótipos e o desrespeito às terras indígenas, é necessário que o Ministério da Cultura invista em exposições e teatros, gratuitos e em locais de fácil acesso, como escolas, que mostrem a variedade cultural dos nativos brasileiros por meio da apresentação de suas línguas, religiões, danças e crenças, de preferência, por habitantes das próprias tribos. Também se faz imprescindível o aumento da fiscalização de reservas indígenas, se possível, com rondas apoiadas por índios voluntários, coordenadas pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio), e pelas Forças Armadas do Brasil, não só em busca de prender, mas também de cobrar indenizações de grileiros e outros que desrespeitem o ambiente da reserva.