O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 27/06/2018

A colonização portuguesa no território nacional não ocorreu de forma pacífica - e muito menos buscou respeitar e se adequar ao espaço daqueles que aqui viviam há milhares de anos: os índios. Tal afirmativa torna-se incontestável quando observa-se a carta de Pero Vaz de Caminha, onde o escritor relata esse povo como não-civilizado, perpetuando, assim, a ideia de aversão aos mesmos. Deste modo, debater a questão indígena tornou-se irrefutável, uma vez que a mentalidade ultrapassada dos estrangeiros em 1500 com os nativos parece sobreviver intrínseca na contemporaneidade.

Vale ressaltar que apesar de cinco séculos terem se passado desde a chegada dos portugueses ao Brasil, os maus-tratos aos indígenas permanecem existindo. Só para ilustrar, a ONU registrou um aumento de 50% em assassinatos destes povos, evidenciando, portanto, um revés vultuoso no que tange à proteção dos índios no país. Ademais, existe uma extensa defasagem em elaboração de políticas públicas que os protejam, facilitando, desta maneira, a ocorrência com que atentados contra eles aconteçam frequentemente.

Em suma, essa adversidade está atrelada ao pensamento preconceito existente na sociedade contemporânea, que enxerga o índio como um selvagem, tratando-o como inferior - herança da idade moderna, que preservou essa concepção. Analogamente, tais práticas contribuem de maneira afluente para as contrariedades que a população indígena enfrenta diariamente. Todavia, buscando minimizá-las - na época em que o Brasil encontrava-se desprovido de democracia e direitos humanos - o Estado criou a Fundação Nacional do Índio, com o intuito de protegê-lo e criar leis que os respeitem em sua plenitude. Este órgão governamental, contudo, está longe de selar, de maneira integral, os imbróglios presentes na realidade dos primeiros moradores desse país.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de modificar essa consciência nacional que acredita que o índio é insólito em sua própria terra. Diante disso, a esfera educacional deve atuar de maneira ascendente, promovendo palestras e debates nos centros estudantis, a fim de conscientizar o aluno da importância destes povos para a sociedade hodierna. Ademais, a inserção na grade escolar de matérias abordando a história do índio seriam benfeitoras, uma vez que desmistificariam essa ideia errada existente sobre os mesmos. Da mesma forma, é necessário que essa comunidade seja mais representada no senado, portanto, a manutenção de cotas para essa população agiria de modo benéfico. Como resultado, existiram leis justas e respeitáveis para aqueles que, por tanto tempo, foram desprovidos das mesmas. Por fim, parafraseando Martin Luther King que diz que sempre há tempo de fazer o que é certo, ainda que tardiamente, a sociedade desfrutaria da justiça absoluta.