O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 29/10/2018
Durante a colonização do Brasil, os europeus que habitavam o território brasileiro assumiram uma postura etnocêntrica em relação aos indígenas que já viviam no local. Analogamente, no cenário hodierno, percebe-se que essa conjuntura em quase nada mudou, principalmente com a posição desabonada do Estado e do corpo social no que tange à sobrevivência cultural dos grupos autóctones tupiniquins e às demarcações de suas terras.
Primordialmente, convém inferir sobre a herança histórica do complexo de superioridade da sociedade brasileira em relação à população indígena. A violência simbólica, conceito elaborado por Pierre Bourdieu, é o processo no qual a classe dominante impõe seu modo de pensar para o resto da sociedade. Dessa forma, é incontrovertível que a dominância dos costumes europeus, em muitos casos, fere a existência dos nativos canarinhos. Isso manifesta-se constantemente na visão estereotipada do índio preguiçoso e selvagem que, por conseguinte, tem sua língua vista apenas como um dialeto e sua religião encarada como folclórica, ressaltando a desvalorização desses povos por ignorância coletiva.
Ademais, é válido destacar que a lógica capitalista tem sido responsável pelo desrespeito às terras indígenas no cenário vigente. As terras que são do índio por direito vêm sendo alvo de constantes invasões em prol do agronegócio. Destarte, a situação agrava-se quando é sabido que os representantes políticos preocupados com a causa indígena são poucos. De tal forma, a existência de uma bancada ruralista no Congresso Brasileiro ganha cada vez mais força para poder concretizar seus interesses capitalistas no território nativo. Assim sendo, a população indígena sofre diariamente com o desmatamento de suas terras que causam um dano irreparável à sua cultura, visto que, a natureza tem um significado religioso para muitas tribos que acabam sendo prejudicadas pelos interesses etnocêntricos do homem branco.
Portanto, conclui-se que a situação do indígena na atualidade é preocupante. Com o fito de atenuar o cenário hodierno, é impreterível que o Ministério da Educação atue nas escolas do país promovendo a efetivação da lei brasileira que torna obrigatória o ensino da história indígena em sala de aula. Por meio disso, haveria o maior conhecimento do corpo social sobre a cultura dos nativos de seu território e o exercício da alteridade entre as realidades distintas promovendo, desse modo, a valorização do índio. Não obstante, o Estado deve oferecer maior fiscalização das terras indígenas por meio da Polícia Federal que atuaria nas demarcações impedindo o avanço ilegal do agronegócio para que, assim, a existência indígena seja preservada e respeitada pela sociedade hodierna.