O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 18/08/2018
O movimento “Verde-amarelo”, criado durante o período da literatura modernista, expôs uma exacerbada visão nacionalista do Brasil, de modo a exaltar a figura indígena e a língua tupi. No entanto, no que tange os índios na atual sociedade, estes encontram desafios de sobrevivência e sofrem com o preconceito e a segregação sócio-espacial. Desse modo, é imprescindível que se analise como a herança histórico-cultural - proveniente do processo de colonização - e a ausência de uma legislação capaz de garantir os direitos indígenas corroboram uma cultura homogênea e discriminatória.
Mormente, em “O contrato social”, Rousseau condena os interesses particulares e individualistas e defende que os interesses coletivos devem se perpetuar, de maneira a atingir o equilíbrio harmônico entre todas as esferas sociais. Todavia, ao analisar os problemas sofridos pelos índios, nota-se que esse ideal sociológico não se permeia, uma vez que esses povos sofrem com a segregação, preconceito e violência - circunstâncias estas que caracterizam-se como etnocêntricas e individuais. Apesar de, hodiernamente, os povos ameríndios encontrarem dificuldades de sobrevivência, a intolerância indígena remonta ao período de colonização do país. Ou seja, a sociedade brasileira herdou esses valores e reproduzem-os até hoje, sustentando uma cultura que não permite que o multiculturalismo componha o cenário nacional e causando danos irreversíveis. Um claro exemplo disso é o assassinato de um índio da tribo pataxós, que foi queimado em um ponto de ônibus em Brasília nos anos 90.
Outrossim, aponta-se as falhas na legislação como agente impulsionador da problemática em questão. Embora a Constituição Federal afirme a pluralidade de etnias existente e assegure direitos básicos para todas elas, os índios possuem esses direitos deturpados, uma vez que são vítimas da constante tomada de terras e da intolerância. Assim, uma transposição na legislação e a garantia, por parte do Estado, de que os indígenas tenham suas terras e dignidade humana preservadas, configuram-se como um progresso e possível determinação do multiculturalismo no Brasil.
Confirma-se, portanto, que os índios ainda encontram dificuldades para sobreviver no Brasil. Para combater tal questão, as ONGs devem desconstruir os preceitos errôneos provenientes do século XVI, por intermédio da promoção de debates e interações lúdicas entre a sociedade e os índios, a fim de que os interesses coletivos se perpetuem o Brasil possa desfrutar-se do multiculturalismo. Ademais, a FUNAI, em parceria com o Poder Legislativo, deve preservar os territórios indígenas, por meio da fiscalização de terras, de modo que estes usufruam dos direitos assegurados pela Lei Maior. Logo, a exaltação e preservação da etnia indígena poder-se-á voltar a fazer parte do cenário brasileiro.