O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 10/07/2018

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a questão indígena, no Brasil, atualmente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pelo racismo estrutural, aquele que vem a ser tornar enraizado no subconsciente comum, seja pela ineficiência da fiscalização governamental.

Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências das posturas aqui apresentadas. É indubitável que a questão histórica enteja entre as causas do problema. Segundo o filósofo espanhol George Satayana, aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o racismo estrutural é o fruto dos problemas por muito ignorados, haja vista que os índios, mesmo depois de cinco séculos, ainda são vistos ainda como uma sub-raça. Convém enaltecer o quão prejudicial é o esteriótipo atribuído ao indígena: um inútil, um vagabundo, apenas mais um indigente queimado numa praça, como que por vezes é noticiado.

Outrossim, destaca-se a ineficácia da fiscalização governamental como impulsionador do problema. Como já dito por Johann Goethe, escritor alemão, a maior necessidade de um Estado é a de governantes corajosos. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que nossos governantes não estão tendo culhão para impor limites ao avanço econômico em detrimento das reservas indígenas. Em verdade, o que se observa é um código ambiental muito mais brando do que deveria ser, e que não impede o avanço da agropecuária sobre as reservas indígenas. De fato, o índios se encontram cada vez mais às margens da sociedade, não tendo direito sequer de ocupar as terras que, historicamente, são suas. É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor.

Como já dito por Mandela: “devemos promover a coragem onde há medo, promover o acordo onde existe o conflito, e inspirar esperança onde há desespero”. Desta maneira, a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) deve pressionar o Legislativo para que se crie leis mais rígidas no que tange à preservação das terras indígenas, instituindo delimitações geográficas claras para o avanço do agronegócio. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve incluir, em seu material didático, uma abordagem aprofundada sobre a história e a atual situação do povo indígena no Brasil, bem como um enaltecimento de sua cultura e diversidade, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.