O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 02/09/2018
‘‘O Brasil vai ficar rico, vamos faturar um milhão, quando vendermos todas as almas dos nossos índios num leilão’’, o trecho da música “Que País é esse’’, de Renato Russo faz analogia a um passado distante, mas que se perpetua até hoje, o Brasil continua seu ciclo de enriquecimento em detrimento de uma falência cultural e social, visto que, se agrega da cultura europeia e se esquece da herança dos povos indígenas. É indubitável que o descrédito do índio atualmente possui raízes históricas, consoante a fatores econômicos, que necessitam ser contestados visando a valorização indígena.
A princípio, a Primeira Geração do Romantismo Brasileiro, encontra no índio uma maneira de enaltecer a cultura nacional. A título de exemplo, tem-se a obra Iracema, de José de Alencar, na qual a protagonista homônima é consolidada como um símbolo nacional. Embora, a obra também seja uma clara referência à submissão do indígena ao colonizador, dado que durante a trama a heroína abandona seu povo para seguir um europeu, culminando na visão de um índio dominado e aculturado. Fora do universo literário, perpetua-se uma visão desenhada e estigmatizada desse povo, entretanto o índio não tem o mesmo apreço e estima. Sua importância não é reconhecida até mesmo nas escolas, onde a história oficial é a de que o país foi ‘‘descoberto’’ por portugueses, negligenciando a etnia e cultura nativa das tribos que tiveram grande importância na formação do país.
Ademais, no âmbito econômico os índios deparam-se com diversos obstáculos. Outrora, a população indígena foi explorada pelos espanhóis, durante o período colonial trabalharam na extração de minérios no regime de mita (trabalho compulsório com insignificante remuneração) e em troco de educação cristã. Esse sistema arruinou e dizimou parte das tribos da época. Nesse ínterim, foi criado o Estatuto do Índio, que garante a posse de terras nas áreas habitadas e o direito de usufruir das riquezas naturais existentes, assim como o respeito e preservação da cultura indígena. Todavia, a hodierna busca por terras para o agronegócio e exploração de minérios, faz com que as demarcações de terras tornem-se um obstáculo para o lucro de grandes proprietários rurais, o que gera diversos conflitos com os nativos, houve aumento de 50% em assassinatos de indígenas nos últimos dez anos no país segundo a ONU.
Somando-se aos aspectos supracitados, é vital que o índio seja valorizado no Brasil atual. Inicialmente, o MEC em parceria com a Funai, poderá produzir livros didáticos de história, reformulando a descrição da colonização portuguesa, evidenciando a crucial participação do índio na formação cultural nacional. Ademais, é imprescindível que a Funai aliada ao Ministério Público, agilize as demarcações de terras garantidas na Constituição e garanta sua preservação por meio de fiscalização, a fim de combater a violência e possibilitar a vivência da cultura e costumes indígenas em suas aldeias.