O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 02/01/2019

Pero Vaz de Caminha disse em sua carta ao rei de Portugal que o melhor fruto da terra descoberta seria “salvar” aquela gente. Séculos depois, a visão brasileira frente ao povo indígena se equipara as impressões portuguesas, aonde, a intolerância, o desrespeito e a desvalorização seguem intrínsecos nos pensamentos brasileiros. Nesse sentido, questionar-se-á essa relutância em aceitar o povo indígena, seja pela mentalidade atrasada, seja pela insuficiência das leis.

“Quando o português chegou debaixo duma bruta chuva vestiu o índio”. Essa poética de Oswald de Andrade resume historicamente a situação indígena atual: a vestimenta de sua cultura, religião e seus preceitos. Além disso, a problemática torna-se pior com as constantes demarcações de seus territórios em prol da exploração agrícola e mineral. Infelizmente, esses devaneios de superioridade de um povo em prol de outro ainda figuram no Brasil, mesmo diante da miscigenação que forma a população. Sem dúvida, a falha educação alimentou esse problema de raízes coloniais.

De outro lado, a falta de civilidade das empresas e das entidades legais em reconhecer o patrimônio histórico dos indígenas incita a violência entre as partes e a gênese de conflitos, gerando um verdadeiro genocídio indígena. Essa realidade é alarmada pela ONU que revela que o número de assassinatos dos povos indígenas cresceu ainda mais nos últimos anos em virtude do agronegócio e da impunidade no sistema de leis.

Logo, ações para preservar o patrimônio histórico dos indígenas são necessárias. No eixo legal, é imperativo e imediato uma política de demarcação territorial instituída pelo Ministério público e fiscalizada pela FUNAI. No eixo educacional, é fundamental que as escolas estabeleçam mais que “o dia do índio”, e constituam uma disciplina chamada “cultura”, a fim de garantir o conhecimento, o contato e o respeito dos preceitos indígenas de forma precoce e continuada. Finalmente, cabe ao Ministério da Justiça estabelecer ações punitivas rigorosas aos conglomerados empresariais e indivíduos que violem os direitos humanos da comunidade indígena.