O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 27/07/2018

A geração romântica indianista descrevia o índio como um herói, vista como a fase inicial para a busca de uma identidade nacional. No entanto, à falta de empatia inerente às consternações sofridas pelos nativos, interfere no bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, aos conflitos sociais por posses de terras, bem como a depreciação da cultura indígena. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de amenizar os desafios enfrentados por essa massa populacional.

De fato, é indubitável que a questão das demarcações territoriais contribua para potencializar a marginalização social do índio. Nesse viés, pode-se citar o caso de um ameríndio da tribo Guarani Kaiowá, o qual foi morto, em Mato Grosso do Sul em 2016, por confrontos de ocupação de terras. Isso posto, é perceptível que, mesmo com a criação da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a qual assegura as demarcações das áreas indígenas, denota-se as invasões por grileiros, com o escopo de explorar os recursos naturais, além de ampliar a capitalização do agronegócio no País. Esse impasse comprova a urgência em elaborar projetos sociais, os quais preservem os direitos territoriais dos índios.

Outrossim, segundo o pedagogo Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Segundo essa premissa, infere-se que, hodiernamente, em face de uma formação educacional desestruturada, algumas instituições de ensino não demonstram a importância dos nativos para a diversidade cultural, tampouco introduzem em sua grade curricular o reflexo histórico desse povo. Por consequência, os aborígenes são vítimas dos conceitos oriundos do processo colonizador, como o vínculo a indivíduos preguiçosos e selvagens, além da desvalorização quanto a língua e ao comportamento. Esse desequilíbrio opõe-se ao conceito freiriano de estrutura educacional, o que suscita propostas sociais que respeitem a integridade cultural dos índios.

Urge, portanto, que, diante da realidade nefasta da população nativa, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para isso, é necessário que o Poder Público, em sinergia o Ministério da Segurança, elabore projetos sociais por meio de aparatos tecnológicos, com os aplicativos via Android, e punições severas, os quais implantem as fiscalizações efetivas nos territórios dos ameríndios, no intuito de assegurar a posse e a preservação de suas terras. Ademais, cabe à escola, em conjunto com a mídia, produzir debates educativos acerca da importância cultural do índios para a identidade nacional, por meio de mesas redondas e ficções engajadas, a fim de promover a sensibilização dos indivíduos. Destarte, tais mazelas serão gradativamente minimizadas.