O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 03/08/2018
Datada em 1500, a Carta de Pero Vaz de Caminha carrega consigo traços etnocêntricos e inferiorizantes em relação aos povos autóctones do Brasil, haja vista a aversão à exposição de suas “vergonhas” e a convicção de que os europeus iriam salvá-los. Entretanto, ao analisar a situação dos indígenas na atual realidade do país, percebe-se que essas características discriminatórias não se restringem ao passado. Dentre os vários pontos relevantes, pode-se citar a problemática da demarcação territorial e o preconceito sociocultural.
Em primeiro lugar, é relevante o conhecimento de que o direito à terra dos povos aborígenes está assegurado pela Constituição de 1988, que torna obrigatória a demarcação de todas as terras indígenas do país em um período de 5 anos. Porém, esse direito não é devidamente respeitado pelo poder público, que, diante de buscas por privilégios econômicos, prioriza interesses exploratórios de pequenos grupos, como a bancada ruralista, afetando a vida de milhares de índios. Dessa forma, é urgente a atuação governamental e de órgãos indigenistas que alterem essa situação nacional.
Ademais, ao aplicar a temática para a esfera social, nota-se uma ignorância cultural que, somada a heranças etnocêntricas, cria esteriótipos sobre a população autóctone. Segundo a guarani e professora Poty Poran, um dos maiores preconceitos existentes na sociedade brasileira é o fato de muitos acreditarem que somente são “índios” aqueles indivíduos que vivem do mesmo modo que as tribos há 500 anos atrás, o que exclui grande parte dos aborígenes que integraram certos aspectos culturais do “homem branco”, como a tecnologia. Portanto, mudanças educacionais são essenciais para subverter essas deturpações culturais.
Dessarte, torna-se claro que a questão dos indígenas na atualidade brasileira ainda enfrenta adversidades políticas e socioculturais, sendo primordial certas ações. O Poder Executivo, em parceria com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), deve, por meio do cumprimento da Constituição, realizar pesquisas territoriais em todo o país, que objetivem reconhecer, legalizar e homologar a demarcação de todas as terras indígenas nacionais, promovendo o pleno desenvolvimento das tribos e impedindo possíveis infortúnios exploratórios. Além disso, as escolas, públicas e privadas, por intermédio de reestruturações em seus calendários letivos, devem criar a Semana do Índio, que, com a participação de indivíduos autóctones, busque realizar atividades que enriqueçam e atualizem os alunos sobre a cultura aborígene, o que estimulará a redução do preconceito sociocultural da população.