O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 28/10/2018
Na obra “Casa Grande e Senzala” do cientista social Gilberto Freyre, resgata a pluralidade de etnias existentes no Brasil aos quais formam a legítima identidade nacional, sendo que, todas elas devem ser respeitadas. No entanto, hoje, o índio é vítima de preconceitos e negligência que ainda é um grave problema social. Nesse contexto, deve-se analisar como o individualismo e o poder público prejudicam a questão indígena na sociedade brasileira.
É importante discutir, antes de tudo, que o exacerbado individualismo enraizado é a principal responsável pela manutenção do preconceito contra o índio no Brasil. Isso acontece porque na sociedade pós-moderna, as pessoas, conforme afirma o sociólogo Zygmont Bauman na obra “Modernidade Líquida”, buscam não se envolver nas relações interpessoais e o sentimento de coletivismo e empatia são sacrificados em nome dos interesses individuais. De maneira análoga, o etnocentrismo - conceito antropológico que ocorre quando um determinado individuo ou grupo de pessoas, que não têm os mesmos hábitos e caráter social, discrimina outro, julgando-se melhor ou pior- é potencializado. Dessa maneira, a população inferioriza a cultura indígena que resulta cada vez mais na intolerância e violência.
Além disso, nota-se, ainda, que o Estado negligencia os direitos dos povos indígenas. Isso porque é dever do Estado, conforme afirma o economista inglês John Maynard Keynes, suprir as necessidades básicas de seus cidadãos e assegurar o bem-estar destes. Entretanto, o poder público mostra-se ausente na responsabilidade de garantir a qualidade de vida aos índios. Em decorrência disso, as áreas de preservação ambiental e territórios indígenas são alvos da extração mineral e do agronegócio, assim, latifundiários criminosos utilizam a violência para eliminar reservas e índios, desrespeitando à Declaração Universal dos Direitos Humanos e à Constituição Federal de 1988, que afirma todo ser humano ter direito à vida.
Fica evidente, portanto, a necessidade de combater o preconceito e a negligência contra os índios no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação deve incluir na grade horária escolar as disciplinas que retratem a história e a cultura do indígena, por meio de uma reforma no ensino infantil, fundamental e médio, a fim de desconstruir o individualismo enraizado na sociedade. Outrossim, o Ministério Público deve garantir os direitos dos índios, através da fiscalização da terra e demarcações, para que agricultores não invadam essas reservas. Dessa forma, a legitimidade que Gilberto Freyre defendia e a questão do indígena brasileiro serão alcançados.