O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 12/08/2018
Em sua música “O cachimbo da paz”, Gabriel O Pensador relata conflitos culturais vividos por um índio quando trazido à vida urbana. O ápice da reflexão se dá no momento em que a sociedade urbana auto intitulada “tribo evoluída”, ideal positivista criado no século XIX, é colocada em cheque pelo indígena ao considerará-la atrasada demais. Como uma boa elucidação para problemática em foco nos dias atuais, a música demonstra a construção da cultura indígena no Brasil moldada pela visão colonialista, a qual contribui na desvalorização dos nativos do país por meio da falta de cidadania plena e das disputas desiguais por terras.
Segundo Marshall, sociólogo britânico, a formalização da cidadania acontece por meio do reconhecimento legal do Estado. Porém, de acordo com José Carlos Meirelles, integrante da FUNAI nos anos 70, a maior parte dos embates contra a comunidade indígena ocorre pela ausência do governo. Portanto, a abstenção do Estado permite avanços contra os direitos indígenas, de maneira que a cidadania formal se contrapõe à cidadania real no Brasil.
Como resultado, por não terem aplicabilidade de seus direitos, a disputa desigual por terras se torna muito mais ampla do que apenas territorial ao representar, para os índios , uma fonte de pertencimento à nação. Dessa forma, o voto contra a demarcação de terras indígenas, por causa da bancada ruralista atuante no congresso, permite a invasão de madeireiros, garimpeiros e afins para exploração do local que, na maioria das vezes, a população indígena não possui instrumentos para evitar.
Dessa forma, medidas devem ser tomadas para resolução do problema. Cabe ao Estado a garantia dos direitos essenciais e, para isso, a posse de terra é fundamental. Portanto, a demarcação das terras devem ocorrer via Congresso Nacional de forma ágil e, é interessante que, a FUNAI aliada às Forças Armadas protejam tais áreas. Ademais, a propagação de campanhas, promovidas por escolas e ONGs através de palestras, em favor da valorização da cultura indígena na sociedade, contribuirá na construção da cidadania plena. Assim, proporcionaremos a valorização dos nativos do país não mais baseados em ideais colonialistas eurocentricos.