O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 10/08/2018
Segundo o pensamento de Claude Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. Esse panorama auxilia na análise da questão dos direitos da população indígena no Brasil, visto que a comunidade, historicamente, marginaliza as minorias, o que promove a falta de apoio da população e do Estado para com esses nativos, dificultando a sua participação plena no corpo social, além da falta de proteção –o que evidencia uma crise social.
Em primeiro plano, evidencia-se que a coletividade brasileira é estruturada por um modelo excludente imposto pelos grupos dominantes, no qual o indivíduo que não atende aos requisitos estabelecidos, branco e abastado, sofre uma periferização social. Assim, ao analisar a sociedade pela visão de Lévi-Strauss, nota-se que tais indígenas não são valorizado de forma plena, pois as suas necessidades de lutar contra a ação de latifundiários e de empresas, por exemplo, além da inclusão social são tidas como uma obrigação pessoal, sendo que esses deveres, na realidade, são coletivos e estatais. Com isso, vale lembrar que, apesar de existirem diversos projetos de emenda Constitucional e projetos de lei impostas pela Fundação Nacional do Índio(Funai), os indígenas ainda enfrentam bastante dificuldade, principalmente, no que se refere às demarcações de terras.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o conceito de Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Desse modo, o sujeito, ao estar imerso nesse panorama líquido, acaba por perpetuar a exclusão e a dificuldade ao direito da demarcação de terras, por causa da redução do olhar sobre o bem-estar dos menos favorecidos. Em vista disso, os desafios para o reconhecimento étnico e cultura dos aborígenes estão presentes na estruturação desigual e opressora da coletividade, bem como em seu viés individualista, diminuindo as oportunidades sociais e direitos de proteção dessa minoria.
É evidente, portanto , que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, a Fundação Nacional do Índio deve cobrar do Governo uma fiscalização mais rígida em locais que tenham a presença de grupos indígenas, garantindo proteção e a manutenção das terras. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam maneiras de valorização e o combate à exclusão indígena , a fim de construir o progresso sem desconsiderar a ordem. Já dizia o politico e ativista social Nelson Mandela, “A educação é a maior arma que se pode usar para mudar o mundo.”