O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 14/08/2018

Com a independência do Brasil, iniciou-se um momento de valorização da população indígena, que se mostrou presente na literatura Romântica indianista, visando à formação de uma identidade nacional. Entretanto, conforme a sociedade brasileira se concretizava, os nativos passaram a ser marginalizados, contrapondo a realidado do movimento da primeiração do Romantismo. Embora a Constituição Federal tente reduzir esses impactos, as atitudes dos cidadãos e a negligência estatal contribuem para a exclusão desse grupo social.

Nesse contexto, a manutenção do comportamento social etnocêntrico, oriundo do período colonial, permite que os índios ainda sejam alvos de genocídios e fragmentação cultural no século XXI. Com a chegada dos portugueses e a imposição dos valores europeus, muitos nativos foram obrigados a deixar suas terras, e foram até mesmo mortos, em prol do desenvolvimento da Europa, demonstrando a indiferença do colonizador perante eles. Prática semelhante a essa ainda é evidente na sociedade contemporânea, pois os avanços das fronteiras do cultivo de soja, ocupando terras indígenas, forçam tribos migrarem em nome do crescimento socioeconômico do país. Assim, os nativos ficam sujeitos aos interesses da sociedade capitalista que não os valorizam.

Ademais, a ausência de fiscalização do Estado nas reservas indígenas instituídas pela Carta Magna do país, soma-se a problemática. Não obstante o Brasil compactue com as cláusulas dos direitos humanos propostos pela ONU - Organização das Nações Unidas - de respeito às diferenças culturais, a não garantia da preservação das comunidades destaca a indiferença das autoridades em afirmá-las. Isso se explica, pois, como o governo não se faz presente na questão indígena, facilita a ação dos latifundiários de expansão além das terras de reserva, devido à impunidade. Dessa forma, os índios são forçados a migrar para as cidades em busca da segurança da sua comunidade, submetendo-se à cultura urbana para se adaptar ao espaço, fragmentando, assim a cultura indígena.

Nessa perspectiva, a visão colonizadora dos indivíduos e a falha na fiscalização do governo ameaçam a cultura do índio. Por isso, torna-se necessário que as instituições educacionais estimulem debates sobre a situação das tribos, por meio de palestras com profissionais aptos, como historiadores especialistas em populações nativas, com o intuito de mudar a atitude etnocêntrica, fazendo os futuros cidadãos respeitarem as reservas indígenas. Além disso, o governo federal deve fiscalizar o perímetro das regiões das aldeias, por meio de visitas periódicas pelas forças armadas, uma vez que são responsáveis pela garantia da ordem social, a fim de reduzir os conflitos com os latifundiários e afirmar os direitos dos índios. Portanto, teremos uma sociedade que valorize e respeite as tribos indígenas.