O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 16/08/2018
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para os povos indígenas que, diante das dificuldades sofridas para demarcação de suas terras, vivem, não necessariamente bem. Com isso, ao invés de tentar aproximar a realidade descrita por Platão, da vivenciada por estes indivíduos, o governo e a falta de empatia da pós-modernidade contribuem para situação.
Promulgada em 1988, a Constituição Cidadã estabelece as Terras Indígenas como todas as áreas permanentemente habitadas pelos índios, sendo elas utilizadas para suas atividades produtivas e também para a preservação de suas culturas e tradições. Mesmo depois de mais de 15 anos, estes direitos indígenas não são postos em prática totalmente pelo governo, já que, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), mais da metade das terras indígenas no Brasil ainda aguarda demarcação. Por conseguinte, os nativos enfrentam problemas, tais como, o racismo e violências diante da falta de demarcação de suas terras. Logo, os povos indígenas são cada vez mais impedidos de acessar seus territórios para cultivar suas roças de subsistência, caçar, pescar e praticar plenamente seus rituais e, consequentemente, vão assistindo à derradeira derrubada de suas matas e degradação de seu ambiente. Desse modo, o governo acaba contribuindo para o distanciamento da realidade descrita por Platão da vivenciada pelos índios.
Ademais, a fluidez dos tempos modernos como caracterizou Zygmunt Bauman, filósofo polonês, contribui para problemática. Isso decorre do egocentrismo e individualismo, comuns nessa pós-modernidade, que gera uma falta de empatia pelo próximo. Assim, criando uma sociedade egoísta e individualista que não reflete e nem ao menos se importa com a questão indígena. Consequentemente, de acordo com uma pesquisa feita pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), mais de 800 indígenas foram assassinados nos últimos 13 anos.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de uma tomada de medidas que aproximem estas duas realidades. Em razão disso, o Ministério Público deve, em parceria com a Funai, por meio de gestões políticas, agilizar a demarcação das terras – direito garantido na Constituição –, para que os indígenas possam vivenciar sua cultura e seus costumes livremente. Outrossim, a escola deve, com a colaboração de professores e índios, abordar a participação indígena na História do Brasil e criar a Semana do Índio, levando indígenas para o ambiente escolar, com intuito de mostrar os costumes e cultura destes de forma real. Dessa forma, os povos indígenas não apenas viverão, mas viverão bem.