O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 16/08/2018
O extermínio indígena, ocorrido durante os séculos XV e XVI principalmente, deixou uma enorme cicatriz na história de toda a América. Nesse sentido, tal problemática tem apresentado significativa relevância na terra das palmeiras mais de quatro séculos depois devido à aculturação e à exclusão, grandes afrontas à Constituição Brasileira de 1988, sofridas pelos nativos. Assim, torna-se válido avaliar os aspectos atrelados a esses dois processos históricos de modo que a compreensão acerca do que ocorre nos tempos hodiernos seja facilitada.
Em primeiro plano, o expansionismo marítimo e a imposição católica realizada pelos portugueses aos habitantes originais são dois tripés fundamentais para o longo processo de modificação cultural nativa. Isso ocorre porque a fusão de hábitos benéficos à cultura brasileira, como tomar banho várias vezes ao dia e a adesão da mandioca à dieta, encontra-se envolta por um deplorável período de catequização forçada devido à Contrarreforma e pela criação da Língua Geral (nheengatu) para que aquela fosse efetivada, além da escravização secular para a exploração do pau-brasil. Desse modo, a aculturação tornou-se cada vez mais evidente, tendo em vista a incompreensão europeia a respeito do apego emocional e religioso do nativo à terra e de sua diversidade expressa por meio de inúmeros dialetos.
Após tais aspectos terem sido alvo para a consolidação do poder da Coroa Portuguesa na região durante o Período Colonial, os indígenas enfrentam suas consequências no Brasil hodierno. Essa realidade ocorre porque o espaço, grande fator contribuinte para a sobrevivência dos resquícios culturais de mais de 300 etnias, encontra-se ameaçado devido à expansão da fronteira do agronegócio e à exploração mineral. Diante desse contexto, terras anteriormente demarcadas pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) são invadidas por garimpeiros e grileiros, gerando mortes dos autóctones nas regiões Centro-Oeste e Norte principalmente.
Nota-se, portanto, a opressão sofrida pelos índios desde a chegada dos estrangeiros no país. De modo que tal realidade seja apaziguada, é imprescindível que a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) empregue o estudo da diversidade indígena e de sua relevância para a construção cultural brasileira nas aulas de Sociologia, História e Geografia. Ademais, as redes sociais podem ser grandes veículos na transmissão dos fatos acerca das invasões de terras, a mando dos grandes aristocratas, por meio da criação de páginas e grupos de discussão no “Facebook” como alternativa à mídia televisiva tradicional, a fim de que a população brasileira conheça e não ignore a versão calada e minoritária de um povo historicamente oprimido, além de reivindicar direitos para tais por meio do Projeto de Lei de Iniciativa Popular.