O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 20/08/2018
De nativos escravizados a heróis romantizados, os índios sempre sofreram com estereótipos e padrões impostos pela sociedade. Os reais descobridores do Brasil passaram por diversas fases até chegarem a atual realidade, têm seus direitos no papel como qualquer outro cidadão, porém no seu cotidiano isso é muito diferente. Dessa forma, é necessário avaliar e procurar soluções para tal problemática.
Muitos direitos foram conquistados desde a época da colonização, fazendo com que os indígenas fizessem, de fato, parte do país. Grande parte deles se adaptaram bem a modernidade e estão presentes nas escolas, indústrias e universidades, deixando para trás os sentimentos de exclusão e sofrimentos vividos nos séculos passados. No entanto, uma disputa antiga ainda é a principal responsável pela segregação deles, a de terras, que no dilema entre preservação e desenvolvimento trava grandes lutas judiciais, quando não são físicas, entre ruralistas e indígenas. Mostra-se assim, que mesmo com avanços significativos, a convivência entre esses segmentos da sociedade apresenta grandes divergências.
Sob esse viés, é factível observar que as sombras do passado ainda assolam a vida dos indígenas. Ao mesmo tempo em que alguns vivem o hoje, muitos outros são cercados pelas consequências de um pensamento obsoleto da sociedade, sofrendo preconceitos por algo que não os difere de ninguém, aliás só os torna tão brasileiros como qualquer outra pessoa, ratificando o pensamento de Einstein : ‘‘Triste época a nossa, em que é mais fácil dividir um átomo do que quebrar preconceitos’’. Outrossim, com os pré - conceitos vem a exclusão social, acompanhada pelo olhar de desconfiança por onde quer que vá, afastando muitos da vida ativa, o que leva a outro grande problema, o suicídio entre os índios. Evidencia-se, então, que o tempo não foi suficiente para desfazer essas ações e pensamentos.
Destarte, faz-se necessária uma intervenção estatal que proporcione o acompanhamento dos índios na vida em sociedade, e que além do acesso garantido por lei, eles tenham condições de viver essa experiência, como, por exemplo, nas universidades, estabelecendo um comitê para verificar de perto a real situação do dia a dia deles, com a intenção de diminuir os casos do ato máximo de não adaptação, o suicídio. A sociedade e a mídia, por sua vez, deve promover campanhas que enfatizem a igualdade entre todos e desmistifique a ideia de que os indígenas não podem viver como qualquer outro, diminuindo os casos de preconceito. Cabe, ainda, ao cidadão, portar valores como a alteridade e o altruísmo, para que se coloque no lugar do outro e aja com respeito e compaixão. Somente assim, os indígenas estarão livres de todo e qualquer estereótipo, de nativo a herói.