O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 22/08/2018

Quando os portugueses encontraram a costa brasileira acreditando está ser a da Índia, chamaram de “índio” os habitantes que aqui viviam. O terno se concretizou e é usado até hoje, entretanto, nota-se que a designação é sucinta e simplória demais para categorizar um conjunto de povos com mais de 300 etnias diferentes e com uma complexa e rica cultura diversificada. Nesse sentido, destaca-se o etnocentrismo do brasileiro não indígena, que insiste em enquadrar povos tão ricos historicamente em posição inferior.

Primeiramente, é valido ressaltar que os ideais democráticos modernos, presentes na constituição brasileira de 1988, não estão sendo tratados como ferramenta de proteção aos interesses dos povos indígenas. A ineficácia é fruto da não garantia de segurança e demarcação de terras aos indígenas por parte do Governo, visto que conflitos entre grandes proprietários de terras e tribos são frequentes e muitas vezes são relatados casos indígenas assassinados  e torturados. Por consequência à omissão dos ideais defendidos em constituição, nota-se o não cumprimento do principio Aristotélico de democracia, este que defende a igualdade para os iguais e a desigualdade para os desiguais na medida de suas desigualdades, desse modo a exclusão dos indígenas da posição de herança cultural brasileira só fortalece o etnocentrismo de uma nação que não conhece suas raízes históricas.

Em segundo plano, os esteriótipos arcaicos e a idealização romântica a respeito das tribos indígenas só aumenta o etnocentrismo da sociedade brasileira não indígena. Isso pois, o preconceito e o ideal do “bom selvagem” ainda se mantém firme a uma passado de relações imperiais entre colonizado e colonizador, visto que no Brasil o conhecimento do senso comum sobre a cultura indígena se restringe a folclore do que uma memória nacional patriótica. Desse modo, uma grande ironia molda a todos aqueles que se denominam brasileiros, mas não enxergam a cultura indígena presente nos cotidianos dos quatro cantos do país.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade do imediato reconhecimento da cultura indígena como parte importante da história nacional comum a todos. Sendo assim, é dever do Governo Federal em parceira com a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) diminuir a burocratização sobre os processos de demarcação de terras, favorecendo a proteção das tradições indígenas e além disso, aumentar a taxação de impostos sobre proprietários rurais que aumentem suas fronteiras agrícolas em direção as terras demarcadas. Com tais medidas, os povos indígenas poderão ter o que a muito fora tirado com sangue e suor, a sua amada terra Brasil.