O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 25/08/2018
No romance “Iracema”, publicado em 1865, José de Alencar apresenta uma visão poética da formação do povo brasileiro, idealizando os indígenas, representando-os por Iracema- “a virgem dos lábios de mel”. Entretanto, diferentemente do escritor, herdamos dos nossos colonizadores a ideia de que somos superiores, enquanto o diferente é bárbaro. Por isso, continuamos subjulgando os nativos, além de vendermos suas terras a quem pague mais, apesar de haver órgãos que os auxiliem, colocando-os em foco no contexto social vigente, por conseguinte.
Em primeiro plano, é crucial apontar que devido à visão de superioridade na colonização brasileira, não valorizamos os índios nesse ínterim. Ainda que, eram atrasados e arcaicos, a colonização foi extremamente violenta, não respeitando a cultura local existente. No entanto, isso não justifica a discriminação com as tradições do índio, afinal, ele contribuiu para a nossa cultura de diversas formas. Dentre elas, com o vocabulário, o qual possui inúmeros termos de origem indígena, como pindorama, anhanguera, ibirapitanga, entre outros. Indubitavelmente, apesar de não valorizarmos, é notório que esse povo foi importante para a formação da população e da identidade brasileira.
Outrossim, vale salientar que embora existam órgãos que auxiliem o processo indígena, como a FUNAI (Fundação Nacional do Índio), seus direitos são negligenciados em função dos interesses econômicos. A demarcação de terra é um dos grandes entraves, na qual muitos índios estão sendo expropriados de suas terras pelos latifundiários para dar lugar às enormes plantações de soja, mineração e exploração. Como, por exemplo, os Guaranis e Kaiovás, que formam a segunda maior população indígena do país, são alvos constantemente. Observa-se, portanto, que, devido aos interesses econômicos muitas tribos vêm sendo dizimadas.
Destarte, o interesse capitalista atrelado à herança cultural corroboram para a questão indígena atual. Assim, é imprescindível, que as instituições de ensino incluam em sua grade curricular formas de lecionar a importância do respeito ao índio, por meio de trabalhos em grupos, como produções de poemas, mostrando as suas tradições e contribuições, com o fito de tirar a visão de superioridade em relação aos nativos, além de minimizar a intolerância. Ademais, é fundamental o Poder Público organizar as demarcações das terras indígenas, por meio de investimentos na FUNAI, para esta agir ativamente nas zonas em que há tribos, com visitas mensais, a fim de impedir a exploração. Com isso, não idealizaremos esse povo, do mesmo modo que José de Alencar, mas garantiremos a segurança e respeitaremos sua cultura.