O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 27/08/2018
A postura de negligência do Estado brasileiro mediante a situação indígena do país representa a institucionalização da violência social e a perduração de um discurso etnocentrista, o qual se originou desde os processos de colonização do país. Sendo assim, medidas que resgatem a alteridade e mobilizem a sociedade brasileira a se aderir às causas indígenas devem ser tomadas, além do rompimento com o histórico etnocêntrico, dando lugar à uma sociedade com diversidade cultural.
Primeiramente, o direito à vida e à terra é previsto no Estatuto do Índio. Contudo, esses direitos vêm sendo omitidos pelo Estado brasileiro, visto que, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entre 2000 e 2012 ocorreram mais de 560 mortes de indígenas. Nesse sentido, considerando os massacres históricos dessas tribos, percebe-se também um recorrente desprovimento de uma vida qualificada a eles, o que, segundo o filósofo Giorgio Agamben, configura características do “homo sacer” - aquele cujo qual a vida é sacrificável e passível de violência pela sociedade, utilizado como instrumento para a manutenção de uma soberania. No caso indígena, suas vidas estão submetidas ao domínio do agronegócio, dos latifundiários, e outrora, dos colonizadores portugueses.
Em segundo lugar, há de se considerar que a passividade da sociedade brasileira frente às causas indígenas se deve a permanência do discurso etnocêntrico no país. Segundo Lévi-Strauss, o indivíduo possui uma tendência de comparar diferentes culturas que compartilham do mesmo espaço e tempo, julgando-as como certa ou errada. Diante disso, entretanto, o não-índio deve aprender a exercer o método do relativismo cultural, ou seja, buscar conhecer o contexto e os costumes de determinada cultura para opinar sobre ela, praticando, dessa maneira, a alteridade. No caso brasileiro, é extremamente necessário que haja uma educação voltada para a diversidade e o relativismo cultural.
Em síntese, a situação dos índios brasileiros necessita da adesão também dos não-índios, considerando que o estado de direito deve ser garantido a todos. A fim de que isso seja possível, torna-se necessário a ação de mobilizadores sociais, como pesquisadores da área indígena e líderes sociais, para que convoquem as mídias e passem a expor e divulgar a situação de violência que os índios têm vivido a todos. Dessa maneira, os não-índios poderão tomar conhecimento de que tais problemas existem e cobrarem atenção do estado através de movimentos socais, além de eleger políticos que se preocupem com a causa. A longo prazo, o Ministério da Educação deve desmistificar a figura do índio em sala de aula, oferecendo aos alunos visitas à comunidades indígenas, com o intuito de que esses sejam futuros cidadãos com empatia e que busquem o bem-comum.