O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 24/08/2018
Em meados do século XIX, surgiu no Brasil a primeira geração do movimento romântico, no qual o índio era caracterizado como símbolo heroico e nacionalista literal. No entanto, contemporaneamente essa reflexão não materializa-se, visto que muitos são os conflitos vivenciados pelos povos indígenas no Brasil, decorrente da falta de demarcação territorial e da desvalorização de sua cultura.
Primeiramente, sob a ótica jurídica, nota-se uma omissão do poder público em relação aos direitos dos índios, principalmente à terra. Isto é, com a expansão do agronegócio e a construção de usinas hidrelétricas como é o caso de Belo Monte, muitos povos indígenas foram expulsos do seu local de origem de forma injusta, ou até mesmo mortos. Essa realidade, foi instaurada ao longo da construção histórica brasileira, como subproduto da exploração e apropriação do território dos mesmos durante o processo de colonização. Em vista disso, essa problemática permanece interpenetrada, gerando conflitos e ameaçando cotidianamente as tradições e segurança desses indivíduos.
Outrossim, a interpretação de Pedro Álvares Cabral, na “Carta Pero Vaz de Caminha”, descreve os índios como selvagens, desnudos e incivilizados, o que configura uma desvalorização da cultura indígena, que na contemporaneidade nacional faz-se presente. Isso porque, com um olhar estereotipado europeu, é evidente a discriminação com os rituais e costumes desses povos, reiterando as reflexões estabelecidas pelo autor. Dessa maneira, esse preconceito de boa parte da população promove um esquecimento, fazendo com que os indígenas vivam em condições de vida precárias, sem acesso a saúde e educação por exemplo, o que aponta para a gravidade dessa problemática.
A fim de combater esse cenário, e construir uma sociedade pautada nos valores e princípios fundamentais do direito, é necessário que medidas sejam providenciadas. O Estado juntamente com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), deve acelerar o processo de demarcação das terras indígenas e promover a segurança daquelas já demarcadas, com locais destinados a denúncia e multas ao invasor, de modo a garantir o local de origem dos mesmos. Bem como, promover feiras culturais em escolas e locais públicos, por meio de exposições dos costumes e palestras por exemplo, de maneira a desconstruir os esteriótipos e incentivar a valorização da cultura dos mesmos. Além de garantir os direitos básicos à saúde e educação necessários ao bem-estar desses povos.