O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 25/08/2018

A “teoria do bom selvagem” de Rousseau defendia que o homem nasce puro por natureza e é corrompido pela sociedade.Os românticos da primeira geração no Brasil associavam essa pureza a figura do índio, enquanto o exaltavam como “herói nacional”. Em contrapartida, atualmente o indígena é marginalizado, sofre uma série de preconceitos e tem suas terras tomadas para a extração de recursos. Como consequência de uma herança histórica de descaso com os seus direitos e que os considera inferiores,o bom selvagem hoje é considerado apenas selvagem.

Retratado desta maneira desde a Carta de Pero Vaz de Caminha, o índio é visto como “diferente”. Contrária a máxima de Hannah Arendt de que a pluralidade faz parte da raça humana, a intolerância contra contra aquele que causa estranheza só aumenta. Isso pode ser comprovado, por exemplo, pelo fato de tomarmos a nossa língua como oficial enquanto o tupi é considerado apenas um tipo incomum de linguagem. Ademais, a ignorância a respeito da cultura e da vida dos povos indígenas impulsiona mais ainda o preconceito já enraizado. A mídia, que costuma passar a imagem do nativo como um ser primitivo, e as escolas, que tendem a exaltar a figura deles apenas em um dia do ano, implantam ainda mais a ideia do preguiçoso Macunaíma em contraposição à bela e forte Iracema.

Além disso, os direitos adquiridos na Constituição de 1988 não tem sido garantidos, especialmente em relação à distribuição de terras. Na Alemanha nazista, o Holocausto chocou o mundo ao exterminar um número imenso de pessoas com o argumento da superioridade racial. Mais de quatrocentos anos antes, tribos indígenas eram exterminados em território brasileiro a fim de implantar a economia de exploração, baseando-se na mesma premissa. A ideia de colocar interesses financeiros acima dos direitos desses povos mantém-se até os dias atuais. Hoje, um quarto das terras indígenas são cobiçadas pela mineração. A contradição acontece já que os primeiros a ocuparem o território brasileiro, são os que tem que lutar pelas suas terras.

Dessa forma, até os dias de hoje, o nossos formadores étnicos convivem com desafios que têm suas causas diretamente associadas à colonização a do país. Visando implantar nas pessoas uma maior valorização da figura do índio e da sua importância para a nossa História, o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Cultura devem realizar palestras e debates nas escolas com representantes indígenas . Além disso, cabe ao Estado fazer uma melhor distribuição das terras, sendo tarefa da Fundação Nacional do Índio punir aqueles que não cumprirem com a legislação. Só assim, nossa cultura será preservada e os obstáculos na vida dos vários heróis nacionais ao redor do país serão amenizados.