O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 29/08/2018
O Darwinismo social, ideologia surgida no século XIX, calcava-se na ideia de que existem culturas superiores às outras. A partir desse viés, os portugueses, então, ao chegarem em terras brasileiras e depararem-se com povos indígenas, designaram-os como inferiores, atrasados e selvagens; de modo que o homem branco seria superior a tais indivíduos. Contudo, mesmo após anos a colonização, permanece enraizado na sociedade um pensamento similar ao dos portugueses no século XIX, colocando os índios em segundo plano, e por conseguinte, privando de seus direitos à terra e à dignidade humana, dificultando a manutenção de sua cultura e tradição.
Em primeira instância, a Bancada ruralista - composta principalmente por grandes latifundiários - no Congresso Nacional vem tomando terras indígenas para alocar sua atividade comercial, pois são vistas como obstáculos para o avanço dos negócios agropecuários. Assim, a Proposta de Emenda Constitucional 215 (PEC-215), causou ainda mais injustiça e entrave para a regulamentação do conflito, devido retirar do Executivo e transferir para o Congresso o poder de demarcação de terras indígenas. Por certo, a lentidão do governo na tomada de decisões permite constantes invasões e devastação de terras demarcadas, além de agressões e torturas aos povos; como resultado o Censo de 2010 mostra que cerca de 35% dos índios brasileiros vivem nas cidades, em situações de pobreza e risco, encontrando dificuldades para conseguir trabalho, em virtude do preconceito e da discriminação.
Somado a isso, até os dias hodiernos as populações indígenas são vistas pelo ponto de vista dos livros adotados, de acordo com um olhar europeu, estereotipado. A cultura “branca”, portanto, apresenta uma visão de rica e civilizada, enquanto a dos índios, como uma espécie de folclore, desvalorizada e passível de discriminação. Desse modo, os 305 povos que habitam o Brasil, sofrem com a dificuldade de manutenção da cultura, visto que, o contato com povos externos acaba influenciando os costumes da tribo, podendo fazer com que línguas e tradições percam-se com o passar do tempo.
Infere-se, portanto, que a questão do índio é algo ainda a ser analisado com mais cautela e atenção, pois há um grande preconceito com esses povos, tornando passível a extinção de uma cultura em detrimento apenas do interesse comercial das autoridades. Assim, é imprescindível que a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, encarregada de proteger grupos raciais étnicos afetados por toda e qualquer discriminação, aliada a Fundação Nacional do Índio, realizem movimentos de assistencialismo, informação e esclarecimento a respeito da preservação das comunidades e arrecadação de investimentos, para que possam lutar pela identificação, reconhecimento e demarcação das terras indígenas, a fim de promover a preservação da cultura e tradição desses povos.