O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 29/08/2018
Mário de Andrade, em sua obra modernista Macunaíma, descreve a caracterização do povo brasileiro, sendo influenciada por traços indígenas, afrodescendentes e europeia. Dessa maneira, o popularmente conhecido como “herói sem nenhum caráter” é uma analogia ao retrato do índio de uma nação, sendo primitiva quando se tratando dos índios e, glorificada, com os europeus. Apesar de ser ficcional, esse livro não se distancia da realidade, uma vez que na contemporaneidade a valorização cultural e representativa dos povos indígenas é esquecida, devido ao descaso populacional e governamentais sobre os nativos do país.
Primordialmente, é necessário descrever o processo de colonização do Brasil, visto que a situação atual é apenas um reflexo desse acontecimento. Tendo nascido por meio de exploração, a dominação de povos e culturas ocorreu da mesma forma. Percebe-se assim, que os costumes europeus se sobrepuseram a identidade nativa, como a imposição da língua, cultura, religião, perdendo-se muitos traços indígenas. Tal comportamento é visto até hoje infelizmente, como a banalização do dia do índio (19 de abril) que as crianças nas escolas apenas se caracterizam como índios e nada aprendem da importância desse ou simplesmente por tratarmos os seus hábitos e crenças como folclore e não são tão relevantes como as europeias.
Contudo, além de não serem valorizados em sua cultura, os nativos não possuem seus direitos de cidadãos completos. Por isso, cabe aos órgãos como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e o Ministério Público Federal (MPF) lutarem pela garantia de equidade, principalmente, quando se trata da demarcação de Terras Indígenas (TIs). Recentemente ocorreu um conflito no Maranhão entre índios e fazendeiros. Essas guerras tem se tornado cada vez mais frequente no país devido as demarcações ou a falta dela. A demora para regularem tem suas causas nos interesses na bancada ruralista, que visão legalizar latifúndios em prol do agronegócio. Inevitavelmente por falta de uma política mais rígida na fiscalização, os índios se veem obrigados a irem morar na cidade.
Fica evidente, portanto, que esse quadro dramático precisa ser revertido. Para isso a escola deve ensinar por meio de disciplinas ou debates/palestras frequentes a importância da cultura indígena para que as crianças passem a valoriza-la e não trata-la como folclore. Ademais cabe ao poder executivo a acelerar os processos de demarcações e a FUNAI fiscalizar de forma mais eficaz a posse dessas terras, penalizando aqueles que não as respeitarem.