O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 03/09/2018
Desde o início da ocupação do território brasileiro, durante o século XVI, a população ameríndia vem sendo vitimada por epidemias, roubo de seus terras e tentativas de escravização por parte dos colonizadores europeus. Em função disso, a população indígena esteve, até meados do século XXI, sob risco de extinção. Nesse sentido, no cenário atual, determinados agentes econômicos, sobretudo ligados à exploração da agropecuária e minério, ainda ameaçam a soberania territorial, bem como a valorização do legado histórico dos nossos nativos.
De acordo com o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, na obra “tristes trópicos”, subsiste um descaso histórico das autoridades brasileiras no que diz respeito a ações para a preservação da cultura indígena, particularmente ameaçada pelo avanço da fronteira agrícola sobre as áreas de floresta demarcada aos índios. Sob tal ótica, é possível perceber que a presença do índio ainda é interpretada segundo o prisma etnocêntrico, segundo o qual o território deve ser explorado economicamente a qualquer custo. Diante disso, o índio representa, em última análise, um agente protetor da biodiversidade nacional, uma vez que impede o avanço predatório dos interesses empresariais sobre os biomas brasileiros.
Platão costumava afirmar que o importante não é viver, mas viver bem. Nessa perspectiva, é notório que as populações ameríndias, desde a chegada dos portugueses, vêm sofrendo uma pressão acachapante no sentido da diminuição da extensão territorial disponível para o pleno exercício de sua cultura. No entanto, dados recentes do IBGE apontam o crescimento expressivo, durante as últimas duas décadas, do contingente populacional indígena. Infere-se, com isso, que algumas medidas, embora incipientes, têm sido tomadas para minimizar o impacto antrópico nas áreas indígenas, como o monitoramento remoto de áreas sob risco de exploração econômica ilegal.
Faz-se necessário, portanto, que o orçamento da União amplie os recursos destinados ao monitoramento via satélite e por terra de áreas demarcadas aos índios, de modo a impedir a ação ilegal de mineradoras e pecuaristas nesses territórios. De modo complementar, prover à polícia ambiental meios para a punição dos transgressores desses limites. Dessa maneira, o controle sobre as mudanças nos biomas brasileiros assegurará a manutenção da soberania do índio sobre suas terras. Com isso, espera-se que o crescimento demográfico indígena recomponha, a longo prazo, as estimativas populacionais do período anterior ao descobrimento do Brasil. Assim, será possível reparar o gradativo processo predatório que há séculos ameaça a existência dos povos nativos do Brasil.