O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 04/09/2018

Na canção “Índios”, da banda Legião Urbana, Renato Russo canta “nos deram espelhos e vimos um mundo doente” em alusão ao processo de colonização do Brasil e as injustas consequências para os nativos. A partir desa perspectiva, é possível analisar a condição atual do índio brasileiro e seus direitos, partindo de uma visão histórica. Nesse sentido, torna-se fundamental abordar não apenas a questão das terras indígenas, mas também como inserir esse grupo de modo pleno no corpo social.

É determinante, em primeiro plano, salientar que a colonização portuguesa no século XVI foi violenta e desrespeitosa para com a cultura local. Nessa conjuntura, os europeus, por se considerarem superiores, realizaram atrocidades e trocas desvantajosas, como já dito por Renato Russo, que durante muito tempo foram retratados como heróis desbravadores, além de esconder o racismo velado pelos olhares eurocentristas. Por consequência, os índios são postos às margens pela sociedade até a atualidade, que os imagina, erroneamente, incapazes de exercer certas profissões.

Outro ponto que merece destaque, nessa temática, é o fato do enorme desmatamento que invade as terras indígenas. Nesse âmbito, o avanço da cidade sobre as matas e a ausência de apoio governamental são algumas das causas que motivam alguns indígenas a migrarem para as áreas urbanas. Além disso, por ser de grande importância econômica, o agronegócio, por vezes, não sofre as penalidades necessárias pela posse de terras. Por conseguinte, uma parte que restou desse povo, sua cultura e apego a terra, está sendo tirada aos poucos pelos indivíduos obcecados pela lógica do capital. Dessa forma, como atesta o filósofo polonês Zigmunt Bauman, a modernidade encontra-se imersa em uma crise de valores sociais, orientada pelo individualismo e perda da empatia pelo outro, ou seja, a questão indígena deixa de ser uma preocupação coletiva e passa a ser uma luta exclusiva desse grupo.

Tendo em vista o exposto, é imprescindível a busca por caminhos conscientes e viáveis para solucionar a problemática. De início, cabe a FUNAI, junto com o Ministério do Meio Ambiente, garantir a preservação ambiental dos territórios indígenas, através de apresentação de lei mais rígidas, como a aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas, a fim de conservar a integridade desses povos. Ademais, o Ministério da Educação precisa inserir o estudo da cultura indígena nas escolas, para que a criança aprenda a respeitá-la e possa conhecer mais sobre sua formação histórica, além de diminuir a visão estigmatizada e o preconceito para com esses. Por fim, com uma maior fiscalização do uso das terras pelo Ministério Público, concedendo multas para invasão de propriedades indígenas e uma postura menos intolerante do organismo social, um futuro mais digno poderá ser vislumbrado.