O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 05/09/2018

Na primeira geração do Romantismo, escola literária do século XIX, o índio tornou-se o símbolo do homem brasileiro. Nessas produções, tais como o “O Guarani”, de José de Alencar, o nativo é descrito como “herói nacional”, representando a originalidade, a braveza e o caráter independente. Todavia, hoje, o descaso e a negligência para com os índios tem os condicionado a uma situação de invisibilidade.

Nesse contexto, tal ofuscamento nasce no discurso estatal. O sertanista e escritor Orlando Villas Boas apregoou que o índio só pode sobreviver dentro da sua própria cultura. Entretanto, desde o período do descobrimento do Brasil, os indígenas passam pelo processo de aculturação, que só se intensifica na contemporaneidade. Um produto dessa assertiva é a perda irrefreável de um patrimônio cultural fundamental para a identidade do país, acompanhado do desaparecimento do território - fruto da utópica demarcação de terras.

Outro fator coadjuvante se dá na esfera do comportamento social. O dia 19 de abril celebra o dia do índio, um momento invisível para essa etnia, uma vez que não se atesta mobilização em prol dos direitos deles no que tange à terra. Antes, se tem uma postura de silêncio, entrecortada por adornos nos filhos da cidade, no seio da escola, algo pífio quando a causa maior se faz negada. Como substrato disso, assiste-se um aumento de episódios de massacre aos nativos, seguido da parcialidade brasileira.

Depreende-se, portanto, que há necessidade de uma reeducação social premente. Para isso, a mídia pode contribuir com seu olhar de denúncia, por intermédio de campanhas publicitárias, que esclareça o descaso com os índios, para que alerte os cidadãos. Por sua vez, cabe ao sistema educacional a interpretação da significância cultural do nativo, por meio de uma didática especial, a fim de formar indivíduos mais conscientes e transformadores. Logo, tal mazela será minimizada.