O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 05/09/2018

Na literatura brasileira, os povos indígenas foram idealizados, sendo romantizados e assumindo o papel de herói, como na obra de José de Alencar, ‘‘O Guarani’’, em que Peri é visto como um índio destemido. No entanto, essa valorização não ultrapassou os limites dos papéis, já que esses povos foram cerceados, escravizados - sofrendo um dos maiores genocídios da história - e ainda hoje são vilipendiados pelo Estado e seus direitos muitas vezes ignorados pela sociedade. Sendo assim, percebe-se que no Brasil, lamentavelmente, há marcas e preconceitos enraizados nas bases aristocratas da formação social, que urgem ser veemente combatidas

Mormente, é imperativo destacar que desde o período pré-colonial em que houve o primeiro contato dos povos originários com os europeus, predominou a visão etnocêntrica de um povo sem cultura, posto que em sua língua não possuíam as letras F, L e R , coisa digna de espanto, de acordo com Pero Gândavo, pois impediam-os de ter ‘‘fé, lei e rei’’. Com isso, inicialmente, os portugueses queriam retirar suas terras, depois sua liberdade, cultura e até mesmo suas crenças, forçando-os e impondo-os à catequese e por fim retirando suas vidas. Esse cenário lúgubre há 500 anos ainda é presenciado contemporaneamente, pois esses pensamentos são propagados e criado uma visão perpetuada durante séculos estereotipada dos indígenas.

Sob outra perspectiva, além do preconceito, violência física, mental e cultural, as tribos indígenas do Brasil enfrentam hodiernamente seus direitos ignorados, direitos esses inerentes, que tentam reparar, mesmo que danos irreparáveis, à seu povo. Nesse viés, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Consoante o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é inegável que o caso dos povos indígenas rompe com essa harmonia, haja vista o negligenciamento e falta de efetividade de leis que garantem que tais cidadãos gozem de direitos imprescindíveis (como o direito à terra, proteção, educação, cultura). Assim como ocorre no avanço e desrespeito às suas terras pela aritocracia rural brasileira, que com sua cultura mercantilista e capitalista, buscam a expansão da agropecuária.

Em suma, é inegável as perdas sociais, culturais e históricas que as tribos indígenas sofreram durante e após a construção do Brasil, por isso tem seus direitos pré-estabelecidos que necessitam ser efetivados. Com efeito, compete ao Governo Federal, em parceria com o FUNAI, investir nas fiscalizações através de um sistema de vigilância - usando redes e sensores técnicos - para combater a invasão indevida e ilegal das terras, a fim de minimizar ainda mais prejuízo à um povo tão sofrido.