O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 28/09/2018
No século XIX, o escritor José de Alencar buscou idealizar a figura do índio no livro “Iracema”, em um momento que o período literário buscava eleger um modelo representativo do Brasil. Atualmente, os grupos indígenas permanecem em foco, porém, como participantes nos conflitos agrários e no debate da sociedade acerca da preservação das identidades culturais. Logo, é necessário que essas questões sejam discutidas para o combate a criação de estigmas.
Nesse contexto, vale ressaltar que a tensão entre povos indígenas, que buscam seus direitos constitucionais pela demarcação de terras, e o agronegócio gera consequências aos nativos. Dessa forma, é possível relacionar a hierarquia da bancada rural que compõe grande parte do Congresso Nacional com o favorecimento da estrutura fundiária que busca limitar os direitos civis dos que afetam a extensão das fronteiras agrícolas. Concomitante a isso, o contratualista John Locke abordou que o Estado é responsável pela proteção dos cidadãos e suas garantias, no entanto, a gestão brasileira é falha, haja vista a desproporção da atenção dada a alguns setores sociais. Dessa maneira, os índios presentes em território nacional são afetados e tem seus recursos limitados e questionados.
Em contrapartida, o debate sobre a proteção das identidades culturais e da diversidade indígena se apresenta mais intensa em âmbito nacional. Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, os ameríndios brasileiros não querem pertencer a um processo cultural que não abranja seus costumes, mas necessitam de um amparo compensatório para que seus territórios e tradições sejam conservados. Assim, a medida que as pessoas têm conhecimento sobre o processo histórico do país, os movimentos, principalmente jovens, tomam força em razão da importância de cuidar do patrimônio como forma de compensar séculos de tentativas de aculturação e integração.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para salvaguardar os direitos civis dos índios no Brasil. Com efeito, é imprescindível a atuação do Governo Federal na aplicação plena da constituição, por meio de reuniões com lideranças indígenas para a demarcação fiel de territórios exclusivos com pena de multa aos que infringirem a lei. Ademais, o Ministério da Educação pode implementar palestras nas escolas, com auxílio de empresas privadas, para gerar maior ensinamento sobre a diversidade de povos existentes no país. Seria possível, então, superar o estigma criado no Romantismo indianista e mostrar que esses indivíduos são além de um símbolo da nação.