O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 29/09/2018
No Modernismo, a literatura brasileira apresentou o índio como herói do país, assim como na Europa eram os cavaleiros medievais. Entretanto, essa exaltação e nacionalismo dos indígenas, infelizmente, ficou apenas em livros. Desde a descoberta do Brasil, a exploração e desvalorização desse povo esteve presente, e continua até os dias de hoje.
O índio de José de Alencar é idealizado demais para uma nação que não sabe viver com as diferenças. Deste modo, entre a imagem indígena que é construída na sociedade brasileira e o índio real há um enorme abismo. De um lado, a identidade indígena é negada quando pessoas veem índios com televisão em casa, com carro ou roupas de marca, pois esses índios são “falsos”. De outro lado, sua cultura não é respeitada e é vista como inferior, a exemplo da língua portuguesa ser oficial, e indígena apenas um dialeto, ou suas crenças serem apenas “folclore”. Este pensamento dividido evidencia o quanto a população pouco sabe sobre esse povo, preferindo menosprezar ou ignorar sua existência.
Ademais, a luta por território ainda é um problema, causada pelas relações de poder. Fazendeiros em busca de mais dinheiro, expandem suas fronteiras a terras destinadas aos índios, o que resulta em confronto e perda de território indígena, dizimando muitas tribos. Isso deixa claro que os interesses da bancada ruralista estão acima da importância de proteger esses povos. E esse, é só outro exemplo da ignorância enraizada contra os índios, em que o “America para os americanos” brasileiro seria facilmente traduzido como “Brasil para descendentes europeus”.
Portanto, primeiramente é necessário que sejam tomadas medidas para que o índio seja valorizado. Desta maneira, a escola, que tem um papel fundamental para formação de pensamento dos indivíduos, deve trabalhar para que esse pré-conceito sobre os nativos seja quebrado, promovendo estudos mais aprofundados sobre esse povo na aulas de história e sociologia, podendo também, levar os alunos para conhecer alguma tribo, se tiver uma nas proximidades, para que estes vejam a realidade e não se prendam na visão idealizada. Assim, conhecer a história e a luta é o primeiro passo para que o respeito seja alcançado.