O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 05/10/2018
A colonização do Brasil ocorreu como um projeto mercantilista português, cujo principal objetivo era a acumulação de capital para a metrópole. Nesse sentido, a relação estabelecida com o nativo foi a de ele ser um dos produtos do território recém descoberto, disponível para a finalidade que melhor satisfizesse os europeus. Assim, o índio brasileiro em foco na atualidade sofre com a discriminação, alimentada pela falta de ações educativas, e os conflitos relacionados à demarcação de suas terras, o que exige a intervenção estatal.
É indubitável a consolidação histórica da infração à alteridade indígena, visto a ausência de medidas, nos meios formais de ensino, capazes de alterar esse status quo. De acordo com Sir Arthur Lewis, economista britânico: “Educação nunca foi uma despesa, sempre foi um investimento com retorno garantido”. Seguindo essa linha de raciocínio, a manutenção de um viés eurocêntrico no ensino de história do Brasil é conivente com o etnocentrismo que dizima as populações indígenas desde o século XVI. Diante do exposto, o bem-estar das populações indígenas brasileiras depende da atuação estatal em democratizar o ensino da diversidade cultural do país.
Diante do elencado, é importante considerar o papel das disputas territórias para o imbróglio. Nesse cenário, a Constituição Federal de 1988 reconhece o direito dos índios às terras historicamente ocupadas por eles e a função do Estado em demarcá-las. Dessarte, é frequente o conflito entre os nativos e indivíduos que desejam direcionar os territórios - legalmente indígenas - a fins capitalistas. Nesse contexto, os locais mais comuns para essa contestação são os estados pertencentes à Amazônia Legal, devido a expansão do cultivo de soja e da atividade mineradora. Dessa forma, a real concretização das garantias constitucionais dessa parcela de cidadãos é condicionada por ações que alterem essa conjuntura.
Em conclusão, faz-se necessário a atuação do Estado, já que o índio brasileiro em foco na atualidade é vítima do preconceito - mantido por conta da ausência de medidas educativas - e possui disputas relacionadas à demarcação de suas terras. Portanto, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, deve incluir registros indígenas nas aulas de história do Brasil dos ensinos fundamental e médio, a fim de demostrar as diferentes visões sobre a colonização e mitigar a discriminação contra índios a longo prazo e com auxílio das novas tecnologias, ilustrando: uso, em sala de aula, de audiovisuais produzidos por indígenas; além disso, o Ministério da Justiça deve priorizar os processos relativos à demarcação dos territórios nativos, no intuito de atenuar os conflitos nessas terras. Dessa forma, será possível superar o imbróglio decorrente da colonização mercantilista do país.