O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 29/10/2018
Durante o Romantismo, a figura do índio foi exaltada na poesia com o intuito de associá-la à construção de um sentimento nacionalista. Entretanto, tal imagem não foi consolidada no âmbito social, o que provocou uma série de problemas para os povos indígenas na hodiernidade. Nessa perspectiva, tal realidade perpetua-se tanto por conta da negligência do Estado quanto da herança histórico-cultural. Com efeito, evidencia-se a urgência de combater tais problemáticas com a finalidade de alcançar uma sociedade mais harmônica.
Em primeiro plano, a negligência do Estado está intrinsecamente ligada aos interesses da bancada ruralista, grupo político constituinte de uma frente parlamentar que atua em defesa dos interesses dos proprietários rurais. Nesse sentido, mesmo que asseguradas pela Constituição Federal de 1988, as terras indígenas são tomadas pelo agronegócio. Além disso, a Fundação Nacional do Índio, órgão fundado para assegurar os direitos indígenas, teve suas verbas cortadas, o que prejudica o funcionamento da entidade. Por esse ângulo, a União pode ser vista como uma Instituição Zumbi, como denomina Zygmunt Bauman, uma vez que não tem desempenhado sua função básica de garantir os direitos da sociedade.
Outrossim, a herança histórico-cultural da colonização do Brasil ainda reflete na contemporaneidade. Desse modo, o etnocentrismo europeu, conceito que consiste na ideia de superioridade de um povo em detrimento de outro, toma conta do território brasileiro desde os primórdios. Destarte, os indígenas são vistos como inferiores e por isso sofrem discriminação, principalmente no âmbito social e cultural. Sendo assim, tal comportamento é socialmente incorporado e naturalizado. Por conseguinte, é reproduzido ao longo do tempo. Nesse contexto, um grande contingente de pessoas é influenciada e gera um círculo vicioso, como prevê a teoria do Habitus de Pierre Bourdieu.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas na tentativa reverter o quadro atual. Para tanto, no que tange à negligência do Estado, cabe ao Ministério da Fazenda investir na Fundação Nacional do Índio por meio de de subsídios que permitam o bom funcionamento da instituição com o objetivo de demarcar as terras que pertencem aos povos indígenas. Desse modo, todos obterão seus respectivos direitos, como previsto na Constituição de 1988. Ademais, no que diz respeito à herança histórico-cultural, é dever do Ministério da Educação enaltecer a cultura indígena através de elaborar palestras e exposições a fim de promover o reconhecimento da importância desses povos na história do país. Só assim será possível garantir a igualdade entre os indivíduos, independente de suas origens. Afinal, somente a equidade e alteridade serão capazes de desconstruir as problemáticas vigentes.