O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 06/10/2018
A fase indianista do romantismo brasileiro buscou instaurar um ícone que expressasse a diversidade das terras recém colonizadas, diante disso, caracterizou-se o índio como herói nacional. Todavia, observa-se que, corriqueiramente, a admiração pela figura tupiniquim cedeu espaço para o desprezo, haja visto a discriminação exercida por parte significativa da população brasileira – negação que decorre de uma prática eurocêntrica discriminatória e, também, de uma sociedade incapaz de respeitar limitações constitucionais.
Deve-se pontuar, de início, que o desprezo pela cultura indígena decorre de um processo etnocêntrico exercido pelo colono português. Durante a fixação europeia em terras brasileiras a aculturação foi fortemente concebida, fazendo com que hábitos e costumes dos aborígenes tenham sido subjugados e suprimidos. Em virtude desse fato, nos dias atuais, a expressão da cultura dos índios é amplamente menor se comparada às heranças oriundas do eurocentrismo. Assim sendo, constata-se uma contradição com pensamento do filósofo Habermas, que defende a compreensão da diversidade como elemento fundamental para a formação de um consenso que preze pela igualdade.
Vale ressaltar, também, os danos desencadeados pelo avanço do agronegócio e das tecnologias defronte às comunidades indígenas. Em 1988, com a promulgação da Constituição Federal, a demarcação e a posse de terras pelos índios tornou-se exequível - pelo menos em teoria. Apesar de tal Direito Constitucional, a garantia de propriedades aos nativos ainda é um dilema, já que essa minoria tem de lidar constantemente com a invasão de terras e danos provenientes de inovações tecnológicas. Por conseguinte, a reverberação das comunidades indígenas é posta em xeque, uma vez que esses impasses resultam em conflitos desiguais, que geram a supressão dos aborígenes e fomentam a desigualdade.
Infere-se, portanto, que a atenuação da marginalização indígena mostra-se como um desafio secular, que urge por fiscalização e valorização. É papel da FUNAI, em consonância com a Polícia Federal e Militar, o aumento das fiscalizações em propriedades indígenas na qual a preservação é prevista e demarcada por lei. Isso deve ser feito com maior repasse de verbas para o problema, a fim de atenuar a desapropriação de terras já garantidas na Constituição. Ademais, é imperativo que as ONGs promovam debates nos municípios, com intuito de desestigmatizar a errônea concepção do índio formada historicamente e diminuir a discriminação que tais pessoas sofrem. Após instauração dessas medidas, o ideário indianista produzido pela literatura poderá se manifestar na realidade contemporânea.