O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 09/10/2018

“Sou filho das selvas. Nas selvas cresci. Gurreiros, descendo; Da tribo Tupi.” I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias, é marca da primeira geração do Romantismo, estilo de época que exaltou a figura indígena como símbolo da identidade nacional. Todavia, o índio como herói do Brasil da literatura é apenas idealizado e, hodiernamente, é visto sob um viés estereotipado e não como membro do corpo social. Sob essa ótica, é nítido que a violência histórica e a incessante busca pelo lucro são alicerces dessa problemática.

A priori, é indubitável que ao longo da história os povos indígenas sofreram com a repressão da cultura e de seus costumes. Nesse contexto, durante o Período Colonial do Brasil, a visão eurocentrista dos colonizadores foi responsável por construir uma imagem que relacionava os índios a selvagens e, portanto, indivíduos a se civilizar. De mesmo modo, muitas são as ideias depreciativas que ainda associam esses grupos a indivíduos atrasados e sem civismo, uma vez que, consoante à “teoria de Habitus de Zygmunt Bauman, a história de uma nação reflete nas ações sociais do presente. Nesse ínterim, a cultura histórica de desrespeito e violência à dignidade humana desses povos perpetuou ao longo das gerações brasileiras e, assim, percebe-se o preconceito e a exclusão do hoje.

Outrossim, a Carta Magna de 1988 ressalta que é responsabilidade do União garantir e proteger o direitos dos índios à cultura, aos costumes e às suas terras. Contudo, a expansão da fronteira agrícola e o grande interesse de empresas mineradores em ampliar o seu espaço lucrativo são exemplos do desrespeito à demarcação de terras e, ao mesmo tempo, aos direitos constitucionais dos povos indígenas. Associado a esse fato, o descaso do Poder Público constrói um panorama favorável para a atuação do capital. Sendo assim, indo de encontro ao sociólogo Karl Marx, o capitalismo de fato prioriza o lucro em detrimento de valores, o que contribui para um cenário negligente frente aos povos nativos.

Nessa perspectiva, é preciso romper com os estereótipos e garantir a cidadania desses indivíduos. Para tanto, a Receita Federal deve disponibilizar maiores recursos para que o Ministério Público e a Fundação Nacional do Índio invistam em posto de fiscalizações nas áreas de reservas indígenas, de modo que, com o apoio do Ministério da Defesa, possam monitorar e impedir o avanço do capital sobre essas terras, garantindo os direitos constitucionais desses povos. Ainda, o Ministério da Educação deve alterar a grade curricular de ensino, a fim de inserir a disciplina Cultura Nacional e Diversidade, que, por sua vez, abram espaços para discutir nas escola o papel dos índios na construção da identidade canarinha e sua cultura em específico, de modo a mitigar os estigmas historicamente enraizados na sociedade. Destartes, será possível fazer jus a poética indianista do Romantismo.